Apesar de ter acontecido há 30 anos, o massacre protagonizado por Vítor Jorge, ainda está na memória de muita gente. Foi na noite de 1 para 2 de Março de 1987 que o ex-funcionário bancário, então com 38 anos, matou a mulher, a filha mais velha, cinco jovens e ainda tentou assassinar outra filha. Confessou o #Crime e foi condenado à pena máxima de prisão. Contudo, saiu da cadeia 14 anos depois e emigrou.

Dizem os relatos da época que Vítor Manuel Simões Jorge andou durante vários anos a preparar aquele que veio a ser um dos crimes mais macabros ocorridos em Portugal. Tudo estaria escrito num diário, com mais de 100 páginas, que fez questão de ir escrevendo. Contudo, ninguém acreditava que Vítor, que nos tempos livres fotografava casamentos e baptizados, pudesse cometer aquela chacina. Hoje, ainda há quem tenha medo de se cruzar com o homem que teve um bom comportamento na prisão de Coimbra.

Os factos remontam ao domingo 1 de Março de 1987, depois de Sandra Tomás, por quem Vítor Jorge nutria uma paixão amorosa, ter celebrado o seu 24º aniversário, na casa da mãe, na Ilha (Pombal). Depois de um dia de festa, Vítor Jorge ofereceu-se para levar na sua Renault 4L a Leonor, e mais cinco amigos ao apeadeiro da Linha do Oeste na Guia, a escassos sete quilómetros. No entanto, o destino foi outro, e o grupo acabou na praia do Osso da Baleia, nas proximidades do apeadeiro.

Na altura, o Osso da Baleia era uma praia selvagem, com um acesso em terra batida ao longo da Mata Nacional do Urso. Hoje, aquela que é a única praia do concelho de Pombal, mantém o mesmo estado natural, mas já classificada como Praia Dourada, tem um acesso melhorado, um parque de estacionamento e um apoio de praia. Nos últimos anos tem sido galardoada, sucessivamente, com os galardões de Bandeira Azul e Praia Acessível. Em 2015 foi recomendada por um repórter do canal televisivo norte-americano CNN como o “centro do universo”.

Mas, foi ali, naquele “paraíso natural” que Vítor Jorge assassinou, de forma bastante violenta, José Pacheco, de 22 anos, a namorada deste, Isabel Moreira, de 21 anos, cujos corpos que o mar devolveu dias depois. Mas também Luís Tavares, de 17 anos, Maria do Céu Araújo, de 20, e Sandra Tomás, com 24 anos completados horas antes. Os cinco jovens foram abatidos a tiro e com forte violência. Contudo, apesar de ter ocorrido antes, aquele múltiplo homicídio só viria a ser descoberto depois de um outro. Ou seja, depois de Vítor Jorge ter regressado a sua casa, no concelho da Marinha Grande, e de ter assassinado, num pinhal, a mulher Carminda, de 36 anos, e a filha Anabela, de 16. Uma de cada vez, mas com o mesmo modus operandi. Ainda tentou fazer o mesmo com Sandra, a filha do meio, com apenas 14 anos, mas que conseguiu fugir do local do crime. Tudo enquanto Vítor, de 10 anos, terceiro filho, dormia em casa.

Vítor Jorge viria a ser detido dois dias depois, quando foi descoberto por uma moradora de uma pequena aldeia do concelho de Porto de Mós, onde nasceu. Estava sem forças, doente e ferido numa perna. Não resistiu aos militares da Guarda. Poucos dias depois, o juiz levou-o aos locais do crime onde explicou, em pormenor, como matou as sete pessoas. Foi condenado a 20 anos de prisão a 20 de Janeiro de 1989. Saiu da prisão no início de Outubro de 2001, então com 52 anos e emigrou para Inglaterra, para junto do seu filho. Porém, actualmente reside na ilha francesa de Córsega, onde casou com uma mulher 24 anos mais nova. Está a ser acompanhado numa clínica psiquiátrica e medicado. Assim, como acontece com a filha Sandra, que mantém residência na Marinha Grande. #Justiça