A Câmara Municipal de Leiria anunciou esta semana a venda de uma parte do Topo Norte do Estádio Municipal ao Estado para que aí se venham a instalar os serviços de Finanças de Leiria. De acordo com o Leiria Económica, citando o Município, o valor do imóvel é de cerca de 1,3 milhão de euros. A área é de 4.500 metros quadrados e deverá incluir os serviços locais e distritais. Não foram dados pormenores sobre previsões de datas para a conclusão da transferência dos serviços.

Além do encaixe financeiro, o município leiriense encontra assim uma forma de minimizar o problema criado pela desocupação do Topo Norte, num estádio que tem lutado contra uma certa falta de vocação desde o término do Campeonato Europeu de Futebol de 2004.

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Contudo, nem todas as opiniões são favoráveis. Vitorino Guerra, professor do Ensino Secundário e figura ligada à Associação de Defesa do Centro Histórico de Leiria, levantou uma série de questões relativamente a esta opção política, na sua conta no Facebook.

Esvaziamento económico e social da Portela

Calculando em cerca de 250 o número de funcionário do serviço de Finanças, e acrescentando "alguns milhares de utilizadores todos os meses", Vitorino Guerra alerta para o facto de que o pequeno comércio da zona histórica de Leiria e em particular da zona envolvente à Portela se poderá ressentir fortemente desta quebra. O professor salienta o exemplo do edifício dos CTT, na avenida dos Combatentes, "silencioso e vazio", e deixa duas perguntas: o que será feito aos edifícios (poderão permanecer encerrados sem qualquer destino) e qual "a contrapartida populacional para a senhora dos jornais, o homem do talho e actividades afins" que possa compensar a "deslocalização" das Finanças.

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Despovoamento de zonas históricas

Vitorino Guerra chama também a atenção para o despovoamento não só do centro histórico propriamente dito, mas também "da Avenida Heróis de Angola, a zona do Bairro das Olarias e dos Anjos." Recorde-se que a Avenida Heróis de Angola, até há pouco tempo o coração comercial da cidade, enfrenta sérios problemas, devidamente relatados numa reportagem do Jornal de Leiria de Janeiro deste ano, intitulada "Heróis de Angola, uma avenida a “definhar” no centro de Leiria".

O professor aponta um cenário de acentuação das tendências actuais, sublinhando que os projetos de investimento contemplam "um pavilhão multiusos junto ao estádio, uma central rodoviária intermodal, um novo jardim com zonas de restauração, um ascensor mecânico para o castelo, a partir da 25 de Abril, e uma nova zona de estacionamento." Prevê que a deslocação da Finanças venha "arrastar (...) outros serviços e mesmo a Banca (...) como vem acontecendo. Em suma, deixa uma crítica às opções políticas do actual executivo autárquico, que poderão acentuar as assimetrias da urbe leiriense, em vez de corrigi-las.

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Que futuro terá, não só o centro histórico de Leiria, mas a própria cidade, polarizada entre o Estádio e o LeiriaShopping? Deixe em baixo a sua opinião. #Urbanismo #Redes Sociais