Um misto de amor e ódio é a forma como se podem classificar as reacções ao facto de Maria Fernanda Pereira de Sousa – a conhecida cantora Ágata - figurar em segundo lugar de uma lista candidata à Câmara Municipal de Castanheira de Pera, um dos territórios mais fustigados com o violento incêndio de 17 de Junho. Foi a própria cantora, de 57 anos, natural de Lisboa, que resolveu tornar pública a sua candidatura à autarquia do concelho mais pequeno do distrito de Leiria, com menos de 3.000 eleitores. A designada "rainha da música portuguesa" referiu, na sua página no Facebook, que está pronta para "mais um desafio" da sua vida, onde espera dar o seu melhor: a ser vice-presidente da Câmara de Castanheira de Pera.

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Desde o passado domingo, 13 de Agosto, que não se fala noutra coisa. Ágata escreveu que não poderia "ficar indiferente às carências e necessidades" da população daquele concelho que, a par com os territórios vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande, foi atingido com o violento incêndio que provocou mais de seis dezenas de mortos. "Para além de cantora, não deixo de ser um ser humano", disse Maria Fernanda, reconhecendo que pode não "perceber muito (ou nada)" de política, mas assume-se como uma "mulher do povo". Ou seja, conhecedora das necessidades de um povo. A cantora garante que aceitou aquele convite pensando, apenas, em proporcionar "conforto, esperança e algumas alegrias" às famílias castanheirenses.

Se na sua página oficial podem ler-se inúmeros comentários de apoio e de incentivo à candidatura, já em grupos mais próximos dos castanheirenses a opinião é diferente.

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São muitos aqueles que criticam aquela candidatura, chegando a acusar Ágata de estar a aproveitar-se da situação e ser uma estranha ao território. "Uma panóplia de críticas gratuitas, insultos, calúnias e comentários ofensivos", considera o cabeça de lista, Miguel Barjona, adiantando tratarem-se de "manifestações de inveja e rancor inqualificáveis que não dignificam o concelho nem os castanheirenses".

Em causa está a recandidatura independente de Miguel Barjona à Câmara Municipal de Castanheira de Pera, desta vez com o apoio da coligação CDS-PP/Partido da Terra "Todos por Castanheira". Um candidato que há quatro anos, encabeçando o Movimento Autárquico Independente Salvar Castanheira (MAIS), foi eleito vereador, tirando a maioria absoluta ao executivo liderado por Fernando Pires Lopes, eleito pelo PS. Nas #Eleições de 1 de Outubro, o atual presidente da autarquia não se recandidata por imposição da lei de limite de mandatos, sendo Gonçalo Brás o candidato apoiado pelos socialistas. O PSD candidata a bancária Ana Correia.

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Miguel Barjona, que voltou a candidatar Paulo Lourenço, secretário-geral da Federação Portuguesa de Futebol, para encabeçar a lista candidata à Assembleia Municipal, recorda quando em 1989 o PSD candidatou à Câmara de Castanheira de Pera o então árbitro de futebol Graça Oliva, que apesar de natural do concelho era uma figura "desconhecida da esmagadora maioria dos castanheirenses". Na ocasião, aquela candidatura também gerou uma onda de "críticas, insultos, gozos e muitos apitos na boca", mas acabou por vencer as eleições ao PS, por apenas um voto.

Para Miguel Barjona, a política faz-se com "ideias, propostas, determinação e capacidade de trabalho", mas igualmente com "seriedade, honestidade e sobretudo com civismo e respeito por todos". Entretanto, numa entrevista publicada pelo Jornal i, Ágata realça "as pessoas" e a "beleza natural" de Castanheira de Pera. Refere que vendeu a sua casa de férias na Ericeira para procurar um novo local no interior do país. Entre as preferências da cantora está aquele concelho do norte do distrito de Leiria, até tendo em conta a Praia das Rocas – uma praia fluvial com ondas – "que é um local bastante agradável" para momentos de lazer em família. #Ágata #Autarquias