"Este projecto tem que ser bom para o investidor e ter um peso social relevante para o concelho, e não será aprovado se não representar uma mais-valia verdadeiramente relevante para os munícipes", justificou Basílio Horta na sua página de Facebook, referindo-se à "Cidade da Sonae". O projecto inserido no Plano de Pormenor da Abrunheira Norte (PPAN), já anteriormente noticiado no Blasting News, estava aberto para discussão pública e gerou mesmo bastante discussão em relação à ideia de criar mais um espaço comercial junto à IC19, neste caso junto à freguesia da Abrunheira em Sintra. Terminado o período de discussão, no dia 9 de Janeiro, o presidente da Câmara Municipal de Sintra concluiu que o projecto "tal como está, não vai ser aprovado". Recorde-se que em diversas reuniões públicas, os cidadãos do concelho discordaram da iniciativa e há pouco tempo uma petição online angariou mais de duas mil assinaturas contra o empreendimento.

Em causa estavam os interesses da população de uma zona de Sintra já com muita oferta de espaços comerciais, opinião apoiada por um parecer do Bloco de Esquerda, que pôs em causa a "viabilidade e racionalidade" do projecto. Contudo o PPAN há muito que estava a ser planeado (tinha sido elaborado pela autarquia em 1998) ou pelo menos na lista de considerações futuras da Câmara e só tinha sido autorizado pelo executivo de Fernando Seara em 2013, já com a Sonae como principal entidade para colocar em marcha a iniciativa. Por isso mesmo, a actual "vitória", como definiu a criadora da petição online contra o empreendimento, Catarina Pinto, pode ser temporária, já que o próprio presidente da autarquia indicou que vai "negociar com o promotor os termos de uma possível viabilização do plano".

Mesmo assim, nada retira aos cidadãos que levaram a sua avante um sentimento de conquista. "Acredito que a força do colectivo dá frutos e aqui está a prova de que vale a pena criar laços de proximidade com os nossos vizinhos para exigir a qualidade de vida que merecemos ter em Sintra. A cidadania compensa!", resumiu Catarina Pinto na página da petição. No entanto, não se conhecem as razões que colocaram o ponto final ao projecto. Ainda que este tenha mobilizado a população sintrense a contestar, recorde-se que o presidente da autarquia tinha indicado que a "Cidade da Sonae" só avançaria se fosse autorizada a construção de um hipermercado com 35 mil metros quadrados. Talvez tenha sido esse aspecto a motivar o abandono, pelo menos temporário, da ideia e não os protestos dos munícipes.

Entretanto, em termos de infraestruturas, a Câmara sintrense já deixou claro que pretende resolver problemas mais urgentes no concelho, como a falta de estacionamento no centro histórico. Até 2017 deverá ser construído um teleférico que ligará os subúrbios do centro histórico e o Palácio da Pena e para que isso aconteça será lançado um concurso ainda este ano. Enquanto não existe uma solução permanente para o trânsito na área mais concorrida do concelho, existe a possibilidade de conhecer melhor o Palácio da Pena ou o Palácio da Vila e mesmo o de Monserrate através da nova ferramenta do Google, o Indoor Map, que disponibiliza as plantas destes monumentos para que se possa planear em detalhe uma visita futura, assim como a ferramenta Street View para fazer uma visita detalhada ao exterior.