Entra em vigor nesta madrugada, de 6ª Feira para Sábado, o despacho da Câmara Municipal de Lisboa que obriga à alteração de horários dos bares do Cais do Sodré, Santos e Bica, locais de diversão nocturna na zona ribeirinha de Lisboa. Com este despacho, assinado por Duarte Cordeiro, vereador com o pelouro da Higiene Urbana, as casas nocturnas destes bairros terão de fechar às 2 da madrugada nos dias úteis, e às 3 da madrugada nos fins-de-semana e vésperas de feriados. Até aqui, os bares teriam de fechar às 4 da madrugada, todos os dias. A Câmara Municipal também obriga ao fecho das lojas de conveniência e das mercearias destes bairros às 22 horas e os bares não poderão vender bebidas para fora depois da 1 hora da madrugada. 

No entanto, o despacho deixa de fora os espaços insonorizados, com segurança privada e sistemas de video-vigilância (como por exemplo, o Tokio, o Jamaica, o Viking e o Music Box) que poderão estar de portas abertas até às 4 da madrugada. Os espaços de dança legalizados também poderão estar abertos até às 4 da madrugada, e as discotecas poderão funcionar até às 6 horas da madrugada, ou seja, não há qualquer alteração para estes locais nocturnos. 

A medida, que não agrada à maioria dos proprietários destes estabelecimentos, pretende acabar com o ruído nestes bairros históricos, que têm muitos moradores idosos que se sentem incomodados com o imenso barulho durante a madrugada. Porém, Gonçalo Riscado, membro da Associação de Comerciantes do Cais do Sodré, concorda com a medida, pois "as queixas dos moradores referem-se não ao que se passa no interior dos bares, mas sim ao que acontece nas ruas", acrescentando que a alteração devia ser estendida a toda a cidade. 

De facto, Duarte Cordeiro explica que a medida poderá vir a ser aplicada em toda a Lisboa, já que "é fundamental não estarmos constantemente com focos que se vão dispersando de um local para outro". O despacho poderá ser consultado publicamente durante os próximos 15 dias, já que se encontra disponível electronicamente no site oficial da Câmara Municipal de Lisboa, e em papel no espaço físico da mesma câmara, que se situa na baixa lisboeta.