Durante todo o mês de abril a Assembleia da República abre portas a todos os cidadãos para um conjunto de iniciativas que comemoram os 40 anos das primeiras eleições livres após quase meio século de ditadura. Uma exposição de imagens encontra-se no lado oposto da sala do senado que recebeu no dia 28 de abril o colóquio "As eleições de 25 de Abril de 1975. #História, memórias e legados". Durante todo o dia 4 mesas debateram os mais variados temas.

Na abertura esteve Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril. Esta associação de antigos "capitães de Abril" não esteve presente nas comemorações do 25 de abril na Assembleia da República, posição que é tomada já há alguns anos, desde que foi assinado o pacto de estabilidade e crescimento com a Troika. Um dos ilustres visitantes da exposição "Memórias da revolução" foi o Presidente da República Aníbal Cavaco Silva.

O colóquio juntou os participantes da revolução com os jovens que tinham metade da idade da revolução. Este aspecto foi reforçado pelo orador da segunda mesa, o professor da ESCS e jornalista Francisco Sena Santos. A Escola Superior de Comunicação Social foi uma das organizadoras do evento em conjunto com o Instituto de História Contemporânea, a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e a RTP. O colóquio foi emitido, em direto pelo canal do parlamento. No fim do dia houve uma curta intervenção por parte de cada um dos grupos parlamentares.

Durante todo o mês de abril festeja-se, para além dos 41 anos do golpe de estado, os 40 anos das primeiras eleições livres. Nestas eleições os emigrantes e a generalidade das mulheres puderam votar pela primeira vez (na Primeira República as mulheres puderam exercer o seu direito de voto mas perderam este direito com a ascensão de Salazar ao poder).

Todos os interlocutores falaram do ambiente de festa que envolvia este momento solene. "Era um momento de liberdade mas ao mesmo tempo de tensão por causa das eleições", afirma o ex-jornalista da RTP Cesário Borges. Quem também falou, na parte de tarde do colóquio, foi Joaquim Letria que liderou a noite eleitoral da RTP durante 30 horas. A emissão foi feita a partir do Centro Cultural Gulbenkian. Para este escrutínio estavam creditados cerca de 200 jornalistas estrangeiros.

Jovens jornalistas estiveram sentados nos cadeirões da Assembleia durante 7 horas e meia a ouvirem falar aqueles que viveram "in loco" as primeiras eleições livres. O deputado do PCTP-MRPP, Garcia Pereira é contra este pensamento já que o seu partido, que foi fundando em 1970, foi proibido de participar nas eleições que teve como grandes vencedores o PS de Mário Soares.