O baixo caudal do Rio Tejo está a provocar a morte de um grande número de peixes. O último alerta foi dado na sexta-feira, 3 de Abril, pela Câmara de Abrantes. Em Fevereiro, os autarcas do Médio Tejo já tinham solicitado a intervenção do Ministério do #Ambiente junto do seu congénere espanhol, para exigir que do lado de Espanha se cumpram os protocolos acerca nos níveis regulares no rio. O facto de terem surgido milhares de peixes mortos, e outros ainda com vida, junto ao açude de Abrantes, levou a autarquia local a actuar na tentativa de os salvar. Houve mesmo uma grande quantidade de peixes que teve de ser retirada pelos bombeiros voluntários da cidade.

A autarquia acredita que a razão para aquele atentado ambiental terá tido origem em alguma descarga de água numa barragem, o que fez com a água entrasse no açude, verificando-se de imediato uma redução repentina no caudal, fazendo com que os peixes não conseguissem prosseguir o seu trajecto e acabassem por morrer. O baixo nível das águas é visto como muito preocupante, temendo-se que o rio venha mesmo a secar num futuro próximo.

Uma situação que já levou a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) a manifestar a sua preocupação com as grandes variações registadas quase diariamente nos níveis do caudal daquele rio. Em causa estarão, segundo aquela Comunidade Intermunicipal, a gestão dos caudais com vista à produção de energia pelas grandes barragens espanholas, designadamente as mais próximas da fronteira portuguesa.

Em Fevereiro deste ano, aquela entidade tornou pública uma posição dos autarcas que defendiam uma intervenção do governo português. A CIMT pretende, essencialmente, que seja feita uma adequada coordenação da gestão dos caudais do rio Tejo entre os organismos ibéricos. E, assim, assegurar o cumprimento dos normativos europeus relativos à água.

No entender daquela Comunidade Intermunicipal, a redução de água no leito do rio colocará em causa o sustento ecológico dos ecossistemas naturais existentes, para além de provocar a deterioração das infra-estruturas fluviais que ficam a descoberto.