Por estes dias de Junho que antecedem o já tão proclamado 13 de Junho, começa uma romaria aos pontos turísticos de Lisboa outrora esquecidos. Os chamados bairros típicos da capital enchem-se de jovens, cheiros, cores e música animada para celebrar o Santo Padroeiro da cidade, o famoso Santo Casamenteiro, de seu nome António. É uma azáfama que dura meses a ser preparada e culmina no seu ponto alto, a 12 de Junho, véspera de Santo António, primeiro com os casamentos, abençoados pelo Padroeiro e vividos com pompa e circunstância, e depois à noite com as marchas, em que se decide ano após ano, o bairro que é coroado com a vitória depois de meses e meses de preparação e ensaios.

Seja de Alfama ao Castelo ou do Lumiar a Carnide, o espírito bairrista é uma constante nestes dias vividos ao extremo pelos seus habitantes e partilhado com os demais transeuntes que invadem Lisboa numa noite sem igual na capital.

Mas também em termos turísticos é uma noite muito vantajosa para o comércio da capital. Qualquer motivo serve para fazer negócio, com realce para a sardinha que, este ano, vai novamente bater valores históricos: 2,5€ era o valor mais pedido nos últimos dias por uma sardinha com direito a uma fatia de pão alentejano. No dia de amanhã deverá atingir níveis certamente mais elevados, tudo justificado pela condicionante da quota atribuída a Portugal em 2015 (13500 toneladas), equivalente a menos de um quarto da que fora pescada há quatro anos. "A sardinha pescada é escassa e com o aumento da procura o preço dispara" ou "há no mar, mas não podemos pescar, o que faz elevar os preços, e no Verão já não vai haver, depois teremos de ir a Espanha comprar" justificam os pescadores. Declarações apoiadas por Carlos Macedo (que fala em nome de quatro organizações de produtores: Artesanal Pesca, BarlaPescas, OlhãoPesca e SESIBAL). Até porque, no ano passado, o quilo da sardinha chegou aos 5€; atualmente no mercado podemos vê-la ao dobro do preço. Mas o que é certo é que a sardinha servida nos Santos Populares será portuguesa, e não será o preço a afastar quer os portugueses, quer os muitos turistas desta tradição.

Em relação às marchas, estas já começaram a dar que falar no fim-de-semana que antecede o Santo António, na primeira fase do concurso, em que as vinte concorrentes desfilam no MEO Arena. No primeiro dia de exibição (5 de Junho) destaque para a marcha da Graça, que se exibiu a um bom nível, e pela negativa a marcha da Baixa, na qual se notou alguma falta de ensaio por parte dos participantes. Ponto também para a sempre favorita Marcha de Alfama, que terá alguma penalização devido a comportamento incorreto por parte de uma das marchantes.

No segundo dia, destacaram-se pela positiva a Madragoa e Carnide, quer pelas corografias criativas quer pelos figurinos chamativos, respetivamente. Mais fraca esteve a marcha de Benfica, com algumas falhas na coreografia. No último dia, ponto negativo para o Beato, que teve alguns atritos entre os marchantes já no final da sua participação; pelo contrário, o Alto do Pina esteve em destaque, pela sua coreografia e cor.

Pelas 21 horas de dia 12 de Junho, na Avenida da Liberdade, segue-se a segunda fase do concurso, onde certamente os erros encontrados no MEO Arena serão corrigidos. No dia seguinte saberemos se a marcha de Alfama conserva o título de campeã (2013 e 2014) ou se haverá um novo vencedor; certamente a luta será renhida como tem sido nos últimos anos, com o Alto do Pina sempre à espreita (vencedor em 2011 e 2012). #Entretenimento #Turismo