A notícia não é de agora, mas levou a que só agora as administrações do hospital São José e da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS) se demitissem. Em causa está a trágica morte de um jovem de 29 anos. David Duarte necessitava de uma operação urgente a um aneurisma cerebral, mas todos os médicos se recusaram a trabalhar ao fim-de-semana. O principal motivo, segundo a imprensa nacional, prende-se com o valor que o Estado paga aos funcionários em dias de descanso e folgas.

David Duarte deu entrada no dia 11 de Dezembro, sexta-feira, no hospital de Santarém, com uma paralisia do lado direito, sendo transferido pouco tempo depois para unidade hospitalar de São José, em Lisboa, depois de ter ocorrido uma hemorragia cerebral. Aqui começou a confusão.

Segundo a carta que a namorada de David, Elodie Almeida, escreveu recentemente, e que foi na íntegra publicada pelo jornal Expresso, no hospital de Lisboa disseram-lhe que o aneurisma rebentou e que “estes casos de urgência teriam de ser tratados de imediato (…) Mas como os médicos referiram, infelizmente calhou ser numa sexta-feira, logo não iria haver equipa de neurocirurgiões durante o fim-de-semana”.

A cirurgia foi agendada para a segunda-feira de manhã, mas não chegou a acontecer, uma vez que o David acabou por falecer. Segundo o que o Diário de Notícias escreveu após a morte do jovem, e com base nas declarações do Centro Hospitalar de Lisboa Central, “a prevenção aos fins-de-semana de neurocirurgia vascular está suspensa desde Abril de 2014”. Mais acrescentam que, como a “prevenção ao fim-de-semana é de regime voluntário, alguns especialistas optaram por deixar de a fazer”.

Ontem, 22 de Dezembro, e na sequência de toda esta situação, o presidente do conselho diretivo da ARS apresentou ao Ministro da Saúde a sua demissão, bem como o Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central e de Lisboa Norte.

O jovem David foi a enterrar no dia 17, quinta-feira, depois de ainda ter sido submetido a uma cirurgia para a doação de alguns dos seus órgãos. #Casos Médicos