Mais de 300 camiões de produtores de carne deslocaram-se até Lisboa para cumprir um protesto com o objectivo de bloquear o trânsito na cidade. A delegação de suinicultores dirigiu-se até ao Ministério da Agricultura para se encontrar com Capoulas Santos. No entanto, a delegação acabou por abandonar o ministério quando foi informada de que o ministro não a iria receber.

Os veículos dirigiram-se para o Terreiro do Paço tendo, à sua passagem, bloqueado as principais artérias da cidade de Lisboa. As zonas do Campo Grande e do aeroporto foram as mais afectadas pelos camiões que transportavam bandeiras negras e cartazes onde se lia "consuma porco português". Foi necessária a intervenção da PSP, que impediu a entrada dos camiões no centro da capital como medida preventiva. "Corríamos o risco de ficarem impedidas avenidas fundamentais da cidade e os cidadãos não teriam capacidade de mobilidade e a segurança deles ficaria comprometida", disse Rui Costa (porta-voz do Comando Metropolitano de Lisboa) à agência Lusa.

Os suinicultores vieram de Rio Maior, Leiria, Alcoentre, Torres Vedras e Benedita, convocados pela Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS). Os protestos estão relacionados com a venda da carne de porco abaixo do custo de produção, o que leva à insustentabilidade da indústria. Os produtores defendem também que o fim do embargo da União Europeia à Rússia ajudaria a sair da crise.

O Ministro da Agricultura, Capoulas Santos, reúne-se na próxima segunda-feira, 14 de Março, em Bruxelas para propor um conjunto de soluções para o problema do embargo. Em declarações à agência Lusa, Capoulas Santos assume que vai propôr o "estabelecimento de um regime de quotas de produção" para manter os preços equilibrados. Adiantou ainda que irá defender um aumento dos apoios à armazenagem, limitação de preços para produtos como a manteiga e leite em pó e ajudas à produção por cabeça de gado.

Relativamente ao embargo, Capoulas Santos relembrou que "as exportações para a Rússia estão há vários meses bloqueadas e os russos são grandes clientes de carne de porco e produtos lácteos da União Europeia" e, por essa razão, a crise atinge o sector neste momento.

Os suinicultores garantem que não terminarão a luta: "Podemos morrer enquanto suinicultores, mas morreremos lutando". #Governo #Manifestação #Legislação