“Se vocês não viessem aqui, eu não tinha o que comer”, suspira Júnior Borges, um jovem carenciado de 18 anos. Carlos Gonçalves, um sem-abrigo de 42 anos, acrescenta: “É a nossa salvação, senão andávamos aí aos caixotes do lixo, a apanhar comida do chão”. Palavras de gratidão dirigidas ao grupo de Apoio aos #sem-abrigo (ASA) - Centro Pastoral Claret, do Cacém, concelho de Sintra, que semanalmente ajuda centenas de pessoas pelas ruas de Lisboa.

“Todas as quartas-feiras reunimos um grupo de mais ou menos seis voluntários e entregamos sopa juntamente com um lanche e um reforço que consiste em pão, leite achocolatado e fruta e temos um outro carro onde vai a roupa e produtos de higiene”, conta uma das coordenadoras do grupo, Cláudia Farias. A partir das 21h/21h15, os voluntários passam pelo Oriente, Santa Apolónia e por vezes terminam a noite no Rossio. Segundo outro dos coordenadores do ASA, António Pedro, “o grupo nunca regressa sem distribuir toda a comida”. E sublinha: “Temos mais de 300 saídas e já temos um know how recolhido e continuado de experiência até de como se estar na rua”.

O ASA - Centro Pastoral Claret é um grupo informal que se constituiu há sete anos pela mão de Fátima Gomes, dona de um salão de cabeleireiro no Cacém. Este local também é o ponto de recolha de alimentos e roupa para muitas famílias carenciadas da zona. As clientes dão o que podem, mas é preciso mais. De acordo com a fundadora do movimento, “há carência de produtos de higiene, nomeadamente lâminas de barbear, escovas e pastas de dentes e um patrocinador de leites achocolatados seria muito bem-vindo, porque são 100 pacotes que o grupo distribui todas as semanas".

Pobreza é cada vez maior

Ao todo, mais de 60 pessoas ajudam na recolha de alimentos e roupa. O comércio local oferece pão, bolos e ainda legumes para a sopa. Mas a procura é cada vez maior, admite Cláudia Farias: Nestes três anos já consegui notar essa diferença, essa pobreza cada vez maior, desmedida”.

O ASA é um grupo de cidadãos que se uniu em torno de uma missão: ajudar quem mais precisa. O armazém dos alimentos e roupas está localizado no Centro Pastoral Claret, várias senhoras ajudam a preparar as sandes e ainda fornecem o queijo e o fiambre. “É um exemplo de persistência e generosidade o trabalho de Luísa Silva, Leonor Pereira, Eurídice Barros e Piedade Lemos. A Fernanda Silva faz a triagem da maior parte da roupa e a Hermínia Pedro compra 100 maçãs para os lanches, roupa interior de homem e prepara os produtos de higiente”, destaca António Pedro. Há ainda a simpática septuagenária Amélia Pires, que todas as quartas-feiras confeciona mais de 44 litros de sopa.

Este grupo conta com a ajuda de vários parceiros como a Junta de Freguesia de Agualva e Mira Sintra, Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Agualva - Cacém, as associações Amanhecer Esperança e Coração Amarelo e ainda da IPSS Pró-Vida. #Solidariedade #Causas