Surgiram recentemente notícias de que no dia 8 de Janeiro, ou seja, quatro dias antes de Alberto João Jardim formalizar o pedido de demissão, o conselho de governo aprovou por resolução a concessão de alguns empréstimos milionários. Foram aprovados empréstimo de 50,2 milhões de euros a empresas declaradas tecnicamente falidas pelo Tribunal de Contas. Algumas das empresas estão mesmo envolvidas no Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF) e aguardam fusão. Alberto João Jardim, mesmo estando prestes a sair da presidência do Governo Regional, continua a querer deixar vincada a sua governação através de buracos financeiros.

Entre algumas das empresas envolvidas na concessão de créditos, temos a Metropolitana de Desenvolvimento, que irá receber 9,5 milhões de euros, a empresa Ponta Oeste que terá direito a 8,7 milhões de euros; a Ponta Norte receberá 7,4 milhões e a Porto Santo 4,9 milhões. A Administração dos Portos da Madeira (APRAM) teve também direito a um empréstimo de 16,9 milhões de euros, para além de ter recebido uma injecção de sensivelmente 12,1 milhões. Recordemos que a APRAM tem o Governo Regional como único accionista e tem neste momento uma dívida que ultrapassa os 192,6 milhões de euros.

Alberto João Jardim não se limitou apenas a conceder empréstimos milionários, aproveitou ainda para aprovar os planos de actividades e orçamentos das diversas sociedades da região para 2015. Já o Jornal da Madeira, que era utilizado como instrumento de propaganda do Governo Regional e onde este organismo é acionista com cerca de 99% do capital, teve uma redução de 2,6 milhões euros.

Surpreendente é também o facto de Jardim conseguir em tempo recorde efectuar a nomeação de vários directores regionais e de serviços, cargos que são os correspondentes aos secretários de Estado. Como exemplo fica a nomeação do novo conselho de administração do Serviço Regional de Saúde, feita pelo secretário dos Assuntos Sociais, ou a abertura de um concurso para técnico superior para o gabinete do secretário da Educação.

Quem for substituir Alberto João Jardim na presidência do Governo Regional, irá ter muitas dores de cabeça e não vão ser apenas financeiras.