A dívida da ilha ultrapassa os 7 mil milhões de euros, a taxa de desemprego é alta, assim como a taxa de pobreza da região. "O que vai acontecer à Madeira de Jardim, sem Jardim?": isso é o que todos perguntam. Nos últimos quarenta anos, os caminhos da ilha da Madeira e dos seus habitantes foram os caminhos trilhados por um homem: João Alberto Jardim. O presidente, ou o rei como alguns lhe chamam, sempre fez valer as suas opiniões, defendendo os interesses da Madeira até ao fim.

A Madeira é hoje um dos mais populares destinos turísticos de Portugal e de paragem obrigatória de muitos cruzeiros. O ano novo madeirense, assim como o Carnaval da ilha, são já festas reconhecidas dentro e fora do país. Ninguém pode negar que Jardim é o homem que está por trás de tudo isto, tendo devolvido a auto-estima aos madeirenses e colocado a ilha no mapa. Com efeito em 2011, Alberto João Jardim assumiu que desde 2008 o Governo Regional da Madeira vinha ocultando o verdadeiro valor da dívida pública da ilha. Falou-se em 5 mil milhões de euros, mas mais tarde o Ministro das Finanças Vítor Gaspar indicou que o valor real era de 6300 milhões de euros, e actualmente a dívida já ultrapassa os 7 mil milhões.

Durante anos, o problema esteve à vista de todos: má gestão de dinheiros públicos, infra-estruturas sem préstimo e até inacabadas e as dívidas da Madeira continuavam a acumular. Os governos sucediam-se e todos faziam vista grossa, muitos para não enfrentar Alberto João Jardim. A Madeira era vista como um "caso à parte", mas agora a história é outra. A gestão financeira da ilha está a ser controlada de perto pelo Ministério das Finanças. Os madeirenses já perderam alguns privilégios e já pagam o mesmo valor de impostos que se paga no continente (excepto o IVA).

Durante a campanha, a situação económica da Madeira foi o tema principal. Todos os candidatos apregoaram um novo ciclo ou, nas palavras do vencedor das eleições Miguel Albuquerque, chegou a hora da "renovação". Fala-se na importância de renegociar a dívida com o governo central e houve até quem falasse num perdão da dívida. Será? #Eleições