Um jovem, conhecido como "Cochito", de trinta e seis anos, faleceu no passado sábado, em Angola. Natural da Calheta a residir em Angola há alguns anos, já se encontrava doente e tinha tido alta alguns dias antes de falecer. Segundo familiares, um amigo encontrou-o morto na casa onde residia. O jovem tinha-se ausentado do trabalho nesse fim-de-semana por se sentir indisposto, ficando em casa. O seu falecimento deixa órfão de pai um rapaz e uma menina, ainda menores de idade.

O jovem não estaria legal em Angola, tendo o seu visto expirado, devido à exigente carga burocrática para a obtenção de vistos de permanência naquele país. O processo de obtenção de legalização é extremamente pesado, sendo uma das principais queixas das empresas portuguesas. Diariamente, muitos expatriados são obrigados a sair de Angola de urgência, devido ao término da legalidade da sua documentação. Esta situação é mais uma carga financeira, que as empresas cada vez mais têm de reflectir a nível orçamental. A questão da legalidade enquanto trabalhador expatriado deve ser exigida por qualquer emigrante, e tanto as empresas como o próprio trabalhador devem estar bem cientes da sua importância.

Neste momento, os familiares fazem um enorme esforço para tentar trazer para a Madeira o corpo do jovem. Porém, o processo está longe de ser fácil e mostra-se muito dispendioso, precisamente devido ao facto da ilegalidade do falecido. O custo do transporte pode facilmente ser superior a dez mil euros, e as despesas do funeral associadas as despesas de transporte podem ascender aos quinze mil euros.

A emigração tem sido de alguns anos a esta parte, uma solução para a falta de emprego na Madeira. Milhares de Madeirenses procuram fontes de rendimento além fronteiras, de modo a conseguir proporcionais as mínimas condições de vida a sua família. Emigrar pode parecer uma solução fácil, e a resolução de um problema que outra forma seria praticamente impossível. Contudo, o rumo ao desconhecido acarreta muitos enigmas, quer sociais ou culturais. #Emigração