O ambiente é uma nova preocupação política e causa social do século XXI, que já não se pode considerar exactamente nova, tendo vindo a afirmar-se ao longo do último meio século. O avanço da industrialização deixou bem à vista as consequências de não se ter em conta as "externalidades" da actividade económica para o meio ambiente. O buraco na camada de ozono, a progressiva contaminação das reservas de água doce, a poluição atmosférica que causa problemas de saúde respiratórios (e outros) a milhões de pessoas, a geração de resíduos não recicláveis em quantidades bíblicas, a intensa desflorestação (especialmente nas florestas húmidas das regiões tropicais) e o extermínio das espécies animais por todo o planeta são apenas alguns exemplos.

As preocupações ecológicas fizeram o seu caminho até ao topo da agenda política, com a realização da cimeira do Rio em 1992 e o estabelecimento do protocolo de Quioto, em 1997, com vista à limitação das emissões de dióxido de carbono para a atmosfera. Organizações de protecção do ambiente de nível internacional, como a Greepeace, e nacional, como a Quercus, agiram em nome do ambiente e da protecção da ecosfera, da fauna, da flora e também da paisagem. E até a Igreja Católica não está indiferente a esta questão, como se constatou através da encíclica do Papa Francisco dedicada ao ambiente.

E mesmo se o consenso científico e político em torno das causas humanas para o aquecimento global já não é tão unânime como o foi ao longo das últimas duas décadas, a adopção de práticas de protecção do ambiente chegou ao patamar mais simples (nomeadamente em Portugal) da separação dos resíduos domésticos para posterior reciclagem. Da mesma forma, ninguém contesta a necessidade de manter áreas especiais de protecção da natureza, como os parques nacionais.

Em todo o caso, o aquecimento global é apenas uma das vertentes da ideologia ambientalista. O surgimento de uma consciência dos direitos dos animais, vítimas de diversos comportamentos humanos (desde a exploração económica e industrial até à manutenção de práticas culturais como a tourada), visa substituir inteiramente o paradigma de relação entre o Homem e a vida Animal, combatendo o processo de extinção de espécies e o sofrimento inútil.

Mesmo em termos geopolíticos, o ambientalismo poderá abrir as portas a reconfigurações diferentes do poder político e económico, à medida que mais países, por todo o mundo, se tornarem progressivamente menos dependentes de fontes de energia fóssil situadas em países distantes, e substituindo-a pela produção de energia a partir de fontes renováveis (solar, eólica, etc.) Espera-se que a progressiva introdução dos veículos eléctricos, a par da adopção do uso da bicicleta em zonas urbanas, venha também contribuir neste sentido - passo a passo em direcção a uma sociedade, a nível local e mundial, plenamente consciente da sua relação com o planeta em que vive.