As corridas de carros já existiam antes de surgir o automóvel, mas é só na viragem do século XX que surge propriamente o automobilismo, a realização de corridas de automóveis, com o primeiro a chegar à meta a ser declarado vencedor. A velocidade, o risco do acidente, a superação dos limites do homem e da máquina são alguns dos factores que continuam a atrair pilotos e adeptos, por todo o mundo. Os maiores eventos automobilísticos obtêm honras de transmissão televisiva mundial, ao nível dos Jogos Olímpicos e do Mundial de Futebol. Contudo, a paixão pelos automóveis e pela velocidade pode até revelar-se com um grupo de amigos e numa simples pista de karting.

Ao longo do século XX, o automobilismo acompanhou o desenvolvimento do automóvel e dividiu-se em diversas modalidades. Nos ralis, carros de produção (ditos "normais") extremamente melhorados enfrentam percursos de estrada (devidamente encerrados), competindo contra o cronómetro e com o piloto auxiliado por um navegador. As outras modalidades decorrem em circuitos devidamente construídos para o efeito. Na velocidade, os monolugares (carros de "rodas descobertas") disputam corridas em sprint. É aqui que se insere a mais popular de todas as categorias, a Fórmula 1, cujo campeonato unificado surgiu em 1950. Na resistência, carros de produção melhorados competem durante longas horas - geralmente com equipas de vários pilotos a revezarem-se no mesmo carro. As 24 Horas de Le Mans são o mais famoso evento nesta vertente. Finalmente, as corridas em circuitos ovais, muito associadas a Indianápolis e à tradição do automobilismo nos Estados Unidos da América, levam os carros a competir roda-a-roda, ao milímetro, em velocidades muito elevadas. E até o karting, inicialmente considerado como uma brincadeira, se desenvolveu ao ponto de ser considerado a modalidade de iniciação ao automobilismo, por excelência.

Os grandes pilotos, à imagem dos maiores representantes do futebol e outros desportos, ficam na memória colectiva dos adeptos do automobilismo e não só. Se Juan Manuel Fangio ficou célebre, na década de 50, pelo domínio que exerceu na Fórmula 1 de então, nos anos 80 e 90 foi o brasileiro Ayrton Senna a alcançar uma popularidade mundial que transcendeu os limites da "afición" do automóvel. O seu estatuto foi reforçado após o seu trágico falecimento em pista, em 1994. Ainda assim, o desporto automóvel é hoje incomparavelmente mais seguro, para pilotos e espectadores, do que era no século XX, especialmente nas primeiras décadas, em que as fatalidades eram quase banais.

Também em Portugal o desporto automóvel conquistou muitos adeptos, entre pilotos e espectadores. Eventos locais como Vila do Conde ou Vila Real ganharam estatuto e as autarquias tentam hoje reavivá-los, na busca por eventos de interesse turístico. Além do campeonato nacional de ralis, por todo o país continuam a organizar-se pequenos troféus regionais ou locais de ralis. Paralelamente, e embora o cenário económico do país não permita a proliferação de campeonatos de fórmula e o próprio karting viva dias difíceis, é possível ver troféus amadores de pilotos que se juntam ao fim de semana para sentir a adrenalina - nem que seja em pequenas máquinas de aluguer, fornecidas pelos kartódromos. Prova de que o desporto automóvel continua a movimentar emoções.