Os bancos são, na terminologia técnica, "intermediários financeiros" entre quem empresta e quem pede emprestado. Mais do que isso, a banca é um elemento básico do sistema monetário e financeiro a nível mundial. A banca moderna surgiu no século XIV, com o desenvolvimento do capitalismo moderno na Europa Ocidental e com a necessidade de "olear" práticas comerciais cada vez mais sofisticadas. Ao longo dos séculos, o papel dos bancos enquanto gestores e "criadores" de dinheiro tornou-se cada vez mais complexo e vital. A par da banca de retalho, surgiu também a banca de investimento e até os bancos centrais, entidades dedicadas à regulação do sistema financeiro, como o Banco de Inglaterra ou o Banco de Portugal.

Em Portugal, destaca-se o papel da Caixa Geral de Depósitos, não só enquanto banco público, mas também enquanto maior grupo bancário de Portugal. Fundada em 1876, a Caixa tem desempenhado um papel determinante na gestão e na estabilidade financeira do país. Na actualidade, o MillenniumBCP, o Novo Banco, o BPI e o Montepio são os principais bancos privados de retalho. Recentemente, os escândalos em torno do BPP e do BPN levantaram dúvidas à solidez do sistema bancário nacional. Dúvidas essas agravadas com o colapso, em 2014, do Banco Espírito Santo, dividido em duas entidades - um denominado "banco mau", que acumulou os activos tóxicos", e um "banco bom", agora denominado Novo Banco. Contudo, e pesem os problemas vividos pelos denominados "lesados do papel comercial", e também a polémica em torno do futuro das duas novas entidades, o sistema bancário português mostrou-se muito mais sólido do que poderiam prever os analistas. Com efeito, a economia real não sentiu os efeitos da queda do Grupo, e os juros da dívida pública não revelaram inquietação internacional pelo sucedido.

A opinião pública tem vindo a desenvolver uma opinião mais negativa dos bancos, não só em Portugal, mas também a nível internacional. São muitas as críticas relativamente ao papel que os fluxos de capital internacional, que circulam à margem da contabilidade oficial e do escrutínio das autoridades monetárias, têm no desenvolvimento de crises locais e regionais. A utilização de zonas offshore, frequentemente associadas a situações de branqueamento de capitais ou de ocultação de rendimentos, conta com a necessária colaboração da banca internacional. Além disso, é voz corrente que os grandes banqueiros mundiais são parte activa em práticas capitalistas de enriquecimento fácil e especulativo - imagem que contrasta fortemente com a imagem clássica do banqueiro, enquanto investidor conservador e receoso de manobras arriscadas. A crise financeira internacional, que se seguiu à falência do norte-americano Lehman Brothers, em 2008, veio agravar significativamente esta situação. Contudo, e apesar das críticas, o papel dos bancos na obtenção de crédito (a particulares, empresas e Estados) e na manutenção da economia globalizada mundial, fortemente integrada, continua a ser determinante e essencial.