Carlos Alexandre é um juiz, ocupando o cargo de Magistrado no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa (TCIC). Nascido em 1962, licenciou-se Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e a sua carreira na magistratura incluiu uma passagem pela Polícia Judiciária Militar. A atenção que lhe é dedicada pelos média e pela opinião pública cresceu de forma substancial quando se tornou público que Ricardo Salgado, o "todo-poderoso" responsável do Grupo Espírito Santo, havia sido por ele chamado para interrogatório, pouco antes da desintegração do antigo Banco Espírito Santo. Contudo, tornou-se uma figura central do palco mediático nacional depois de ter ordenado a detenção do ex-primeiro-ministro José Sócrates, e a sua posterior colocação em regime de prisão preventiva.

Carlos Alexandre tem sido, ao longo dos últimos anos, o único juiz do TCIC. Este órgão especializado, criado em 1999, funcionou desde o seu aparecimento com um único magistrado. É por este motivo que todos os principais processos de investigação que abalaram a sociedade portuguesa nos últimos anos têm passado pelo crivo do juiz Carlos Alexandre, contribuindo para que fosse alcunhado como "superjuiz." Face Oculta, BPN (com a detenção de Duarte Lima e Oliveira e Costa), Apito Dourado, Freeport e Monte Branco são alguns dos casos, envolvendo altas personalidades da política, da finança e do desporto, tutelados por este magistrado. Em 2014, e quase em simultâneo com a queda do Banco Espírito Santo, o TCIC passou pela primeira vez a contar com dois magistrados em simultâneo, após a entrada de João Bártolo.

A Wikipédia descreve Carlos Alexandre como um homem "que não gosta de dar entrevistas e raramente fala à comunicação social", o que não impede que já tenha sido capa de revistas de referência, como a Sábado. Por outro lado, o juiz tem sido alvo de tentativas de intimidação. A morte do seu cão, por envenenamento, ocorrida em Março de 2015, foi o último de vários episódios que remontam a meados da década passada, com uma tentativa de atropelamento da sua esposa e uma entrada furtiva na sua residência, tendo sido deixada uma arma em cima de uma fotografia dos seus filhos (de acordo com o Observador.) Não obstante, o magistrado nunca anunciou qualquer intenção de abandonar as suas responsabilidades em função destes acontecimentos.