Aníbal Cavaco Silva é um político português, sendo juntamente com Mário Soares um dos que mais tempo ocupou em cargos de alta relevância durante o regime constitucional instituído em 1976. Nascido em 1939, concluiu o curso de Contabilidade em 1959 e a licenciatura em Finanças em 1964. Investigador e bolseiro da Fundação Gulbenkian, desenvolveu trabalho académico na área das Finanças, vindo a trabalhar no Banco de Portugal, chegando igualmente a professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa. Ministro das Finanças no governo da Aliança Democrática (AD), Cavaco Silva foi primeiro-ministro pelo Partido Social-Democrata durante 10 anos, tendo sido eleito em 1985 e reeleito com maioria absoluta em 1987 e 1991. Foi depois eleito Presidente da República em 2006, sendo reeleito para um segundo mandado em 2011.

O percurso enquanto primeiro-ministro foi marcado por um extraordinário crescimento económico do país. Contudo, e à distância, os críticos afirmam que tal se deveu à entrada de fundos comunitários e à circunstância de um escudo desvalorizado, enquanto a economia evoluiu demasiado para o sector não-transacionável em prejuízo do transacionável e produtivo, o que se revelou prejudicial quando Portugal se tornou membro da zona Euro.

Várias controvérsias atravessaram o seu percurso político de Cavaco. Entre as mais ligeiras estão o facto, provado, de Cavaco ter pertencido á rede de informadores da PIDE-DGS durante o regime do Estado Novo, e a alegação de ter efectuado obras no seu apartamento em Lisboa esquivando-se ao pagamento de IVA. Numa ocasião, colocou um bolo na boca para evitar a pergunta de um jornalista. Enquanto Presidente da República, motivou uma onda de impopularidade ao assegurar que também ele e a sua esposa se viam atingidos pelas medidas de austeridade impostas pelo governo de Pedro Passos Coelho.

Quase todos estes incidentes contribuíram, de certa forma, para o reforço da própria imagem de Cavaco Silva enquanto político, que cultivou ao longo da sua carreira: o de um não-político, de um técnico de finanças que foi chamado a assumir responsabilidades, um homem simples e austero, que prefere a acção ao debate estéril, que toma decisões sem se importar com a opinião dos jornais, que preza a estabilidade política como valor supremo, de alguém que "nunca se engana e raramente tem dúvidas", como o próprio afirmou. Uma imagem que mimetiza a figura do "pai protector" de Salazar e que, do ponto de vista de Cavaco, terá calado fundo na psique de uma grande parte do eleitorado português.

As polémicas mais graves prendem-se com a possibilidade de ter conseguido ganhos de forma menos lícita através da ligação a amigos colocados na administração do BPN (Banco Português de Negócios) e da SLN (Sociedade Lusa de Negócios), o que nunca se provou, e com o comportamento do presidente em 2014. Dias antes do colapso do Grupo Espírito Santo, Cavaco disse às televisões que recebia do Banco de Portugal informações dizendo que o BES se encontrava sólido. Mais tarde, muitos portugueses afirmaram que se sentiram enganados pelas declarações do presidente. Revestiu-se de também alguma gravidade o facto de ter desmaiado durante o discurso do feriado de 10 de Junho, em 2014, o que foi atribuído a uma "indisposição".