Hollywood ainda é considerada a Meca da indústria cinematográfica, mas como consequência de uma tendência contínua para criar filmes para as massas, ricos em tecnologia e efeitos, mas pobres em qualidade e enredo, parece que nos últimos tempos preferem jogar pelo seguro e repetem cada vez mais os sucessos do cinema do passado, reutilizando ideias sem originalidade.

Cada ator ainda sente a necessidade de alcançar o sucesso em Hollywood; os Óscares ainda são o evento número 1 no ramo e as pessoas que vivem desta indústria querem ser reconhecidas nesta rotina expectável. Todavia parece que algo está diferente, e não é só devido à diminuição do número real de filmes produzidos, apesar de as produções serem significativamente mais caras do que há algumas décadas.

A mudança reside na qualidade dos filmes produzidos, especificamente, na escassez de ideias novas e excitantes que todos nós espectadores temos vindo a observar. Há alguns anos todos adorámos ver Bruce Willis dizer "Yipikaye mother F***r!" ou o Arnold prometer que voltaria, entre outros. Podemos até dizer que estes filmes eram foleiros mas o facto é que, apesar do que pensamos sobre estes filmes e muitos outros, eles eram originais… o elemento surpresa estava lá.

Infelizmente, hoje só podemos esperar pelos Vingadores 102 e Capitão América 419. Não há novas ideias? Chegámos ao fim da capacidade criativa? Se julgarmos pelo cinema feito na Europa, certamente que não. Estes filmes, por uma fração do orçamento dos filmes de Hollywood mostram, sem sombra de dúvida, que orçamentos enormes não são realmente necessários para criar qualidade e grandes nomes não são a garantia de um filme memorável.

Outro fenómeno preocupante é o excesso de filmes criados para o público adolescente como se eles fossem os únicos espectadores. É um facto que os espectadores adolescentes são mais propensos a correr para o cinema para assistir a um filme do que a maioria dos adultos, mas ainda assim, quando se cria um filme com um orçamento astronómico é natural que, a fim de ver o retorno do investimento, seja necessário sacrificar algo. É uma pena que geralmente a primeira vítima seja a qualidade e a profundidade do enredo.

Algo tem de mudar nos corredores dos estúdios de Hollywood. Nós, como espectadores, devemos mostrar aos decisores e aos produtores que merecemos respeito. Em vez de grandes nomes e efeitos especiais, ficaríamos gratos por ver outro "Sexto Sentido" ou "Pretty woman". Queremos de volta o que Hollywood costumava ser, e não aquilo em que se está a tornar.