Podemos dividi-los em vários tipos: desde os mais hediondos até aos mais subtis. Alguns são cuidadosamente planeados e levados a cabo por um grupo numeroso de indivíduos, ao passo que outros parecem resultar apenas de um instinto individual. Alguns assustam-nos pela sua seriedade, enquanto outros acabam por nos parecer mais cómicos do que assustadores. Falamos, claro, de crimes: todo e qualquer acto que vai contra a lei de uma sociedade e que, por isso mesmo, é punível por esse mesmo sistema de regras.

Mas qual é a coisa, qual é ela, que caminha sempre de mãos dadas com o crime? Resposta: as notícias sobre ele. Certos jornais, e cadeias de televisão, especializam-se neste tipo de assunto, por vezes até ao enjoo. Entretanto, algumas pessoas perguntam-se porquê. Mas a resposta é muito simples: por norma, a notícia é aquilo que constitui novidade, o que foge ao comum ou, em última instância, aquilo que destabiliza a ordem do nosso dia-a-dia. É por isso que, desde os tempos mais remotos até ao ciberjornalismo do século XXI, o crime tem vingado como assunto de informação.

Há, no entanto, outras razões que têm a ver com a nossa própria natureza. Por norma, os acontecimentos negativos geram maior impacto em nós do que os eventos positivos. Posto isto, e tendo em conta que praticamente todas as notícias sobre assassínios, violações, assaltos ou outro tipo de acções ilegais são 'más notícias', elas tocam-nos mais. É por isso que o Crime está tão presente em qualquer jornal. E é exactamente por isso que o tema deste texto é o Crime. "As más notícias são boas notícias", diz um velho provérbio americano. Que é como quem diz: o Crime, no jornalismo, compensa.

Acrescente-se a tudo isto um outro pormenor: embora tendo em comum o facto de fazerem alusão a um acontecimento que quebra as leis nacionais, as notícias de crime podem ser muito diferentes entre si e camuflar-se noutros géneros. Afinal de contas, o que têm em comum as notícias sobre a prisão preventiva do ex-primeiro-ministro José Sócrates, os mais recentes ataques do grupo islamista radical Boko Haram ou o caso de um homem que baleou duas mulheres numa pastelaria em Vila Real? A primeira resposta é que todos são crimes a que os jornais, pela sua natureza, não podem fechar os olhos. A segunda é que estes estão entre o tipo de assuntos que mais nos tocam e nos põem a falar. São, quem sabe, as notícias que lemos com mais rapidez!