O desemprego é a ausência de emprego, isto é, de um trabalho que garanta um rendimento económico de forma previsível e uma eventualidade de carreira profissional no longo prazo. Nas sociedades industriais e pós-industriais, onde a agricultura de subsistência deixou de ser a principal ocupação da maioria da população, o desemprego é talvez o primeiro factor de insegurança e instabilidade social, económica, política e também psicológica e pessoal. O emprego é não apenas a possibilidade de sobreviver, ou de enriquecer, de forma autónoma e independente, mas também. Neste sentido, ter um emprego ou desenvolver uma carreira profissional são instrumentos de construção cultural, quer em termos psicológicos, quer em termos sociais.

A taxa de desemprego é um factor comum a todas as grandes crises sociais ao longo dos últimos 200 anos. No início da Revolução Industrial ficaram célebres os movimentos luditas, assim chamados em honra do líder John Ludd, que destruíam as novas máquinas que lhes retiravam o trabalho. A instabilidade na Europa no período entre as duas guerras mundiais esteve sempre relacionada com altas taxas de desemprego, que contribuíram para a ascensão de vários regimes não democráticos durante esse período.

Os números da ausência de emprego continuam bastante elevados nos países europeus, e esse tem sido um dos principais factores para o crescimento da desconfiança geral, quer em torno do projecto europeu, quer em torno de situações específicas como as da imigração e, em 2015, da vaga de refugiados fugidos da guerra civil da Síiria. A taxa de desemprego é um dos principais factores que os eleitores têm em conta no momento de avaliar o desempenho económico de um governo ou presidente.

Para os que procuram fugir a esta situação, o empreendedorismo, isto é, a criação do próprio posto de trabalho, será sempre uma alternativa de sonho e a considerar - mesmo que não seja a solução para o problema na sua globalidade.

Em Portugal, passado o pico dos juros da dívida pública que motivou a intervenção do FMI, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia, é visível que a questão do desemprego estrutural se mantém sem solução à vista. Numa economia que não permite a desvalorização da sua moeda e onde a criação de postos de trabalho para trabalhadores menos qualificados se tornou limitada, e onde ao mesmo tempo a evolução tecnológica avançou rapidamente, surge uma nova classe de cidadãos, entre os 45 e os 65 anos, que não consegue arranjar novamente emprego e "aguarda" a chegada da idade da reforma, com evidentes penalizações em termos económicos e psicológicos. O governo de Pedro Passos Coelho anunciou um programa de estágios e formação destinado a combater o desemprego de longa duração, sendo porém incerto os resultados desta estratégia no longo prazo.