Se o jornalista competente é o que for capaz de recolher, filtrar e apresentar a melhor informação possível no menor período de tempo, então poderemos concordar que o maior desafio deste profissional é fazer precisamente isso enquanto decorre o acontecimento. Sangue frio, imunidade ao stresse, sentido de responsabilidade e capacidade de foco... Estes são os requisitos de uma arte em que o brio do repórter é posto à prova como nunca e em que o peso de um engano pode definir o (in)sucesso da missão. Chamamos-lhe o jornalismo em directo.

Embora o hábito de relatar e escrever notícias remonte a tempos muito antigos, foi apenas com o advento da rádio que se tornou possível explicar, em tempo real, muitos dos acontecimentos. De repente, deixávamos de ter a informação apenas uma vez por dia, para podermos conviver com ela em tempo real, ainda que só por alguns minutos. É caso para dizer que a rádio e, mais tarde, a televisão revolucionaram o jornalismo e o transformaram numa actividade mais imediata, eficaz e próxima do público. Mas não é só nessas plataformas que o directo se faz. Ele também existe na internet. E já nem sequer é feito apenas pelos jornalistas.

Hoje, qualquer pessoa munida de uma conta no twitter tem o poder de relatar, em tempo real, o progresso de uma manifestação ou o avançar de uma catástrofe, embora muito poucos consigam dominar a tarefa como os profissionais da informação. Depois do poder do som e do impacto da imagem, tornou-se a vez de o texto assumir a rédea do relato. Por norma, no directo online, as informações mais recentes são colocadas no topo da página, com a indicação da hora e do minuto em que foram relatadas. Deste modo, e ao contrário do que acontece noutras plataformas, torna-se possível seguir não só o que ocorre em tempo real, mas também o que já foi relatado nos instantes imediatamente anteriores.

Mas o que é que seguimos, exactamente, em directo? Todo e qualquer evento que detenha relevância para um dado público. Há quem coloque a sua própria rotina em pausa para ouvir ou ler uma partida de futebol em tempo real. Existem, por outro lado, os que procuram seguir, atentamente, o desfecho de uma noite de prémios ou de um reality show, só para serem os primeiros a saber das últimas surpresas e reviravoltas. Mas entre o tipo de eventos que também são dignos da cobertura em directo podemos elencar também as grandes cimeiras internacionais ou as já mencionadas acções de protesto. Caso para dizer que mais do que escrever sobre o que se passou, a filosofia do jornalismo em directo é falar do que acontece. O resto é História.