Os direitos pressupõem a ideia de que o ser humano, pela sua própria natureza, deve ter garantido, sob forma jurídica e legal, um núcleo de protecções que não possam ser canceladas ou postas em causa sob nenhum pretexto. A nível internacional, a sua expressão mais relevante está nos Direitos Humanos, são um conjunto de garantias inalienáveis de toda a pessoa humana, que se pressupõe terem um valor legal nas disposições jurídicas nacionais e internacionais, e cujo conceito tem vindo a evoluir ao longo dos séculos. O passo decisivo foi dado em 1948 com a adopção da Declaração Universal dos Direitos Humanos pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

O conceito de direitos está naturalmente sujeito a um conjunto de críticas, consoante a circunstância. Uma das críticas mais frequentes prende-se com a sua ineficácia, por não vincular de forma suficientemente exigente os poderes políticos, militares ou económicos. Contudo, é a mera existência desse suporte legislativo que se supõe servir como catalisador da mudança social, despertando consciências, atribuindo mais poder às instâncias que possam verificar o seu cumprimento (seja o Tribunal Penal Internacional ou a Autoridades para as Condições do Trabalho) e gradualmente dificultando a acção do infractor.

A par dos direitos humanos, surgiram diversas acepções destinadas à protecção de diferentes situações, como é o caso dos direitos das mulheres (luta que muitas feministas não consideram estar terminada), das crianças, das minorias e também dos animais. Por outro lado, a expressão "direitos adquiridos" tornou-se, em Portugal, um "sound-byte" de luta política entre a esquerda e a direita, com a esquerda a argumentar que o objectivo das políticas de direita é reverter o que foram as "conquistas" do passado (nomeadamente após a revolução de 1974), em termos de garantias políticas e económicas.

Para o futuro, o conceito continuará a evoluir, uma vez que a noção de direito só pode existir tendo por referência a realidade física, social, tecnológica, cultural, económica, etc., que nos envolve. No caso do Direito, já existem esforços, por parte das autoridades alemãs, de enquadrar e prever o surgimento dos automóveis sem condutor humano, agora que várias empresas (construtores automóveis e tecnológicas) avançam a passos largos no seu desenvolvimento. Será mais difícil prever que tipo de prerrogativas poderão vir a estar associados: o direito de ter uma comparticipação estatal para condutores com deficiência ou idosos? O direito a poder conduzir um carro - reservado apenas aos melhores condutores, e vedado aos que representem um perigo pelo facto de conduzirem, como sucedia no século XX?