Todos nós vivemos em sociedade, e, por isso, somos impelidos a agir de acordo com as suas regras. Aprendemos a ser alguém por força de quem nos ensina. Aprendemos a estar em sociedade por força de quem nos educa. Mas também somos nós que ensinamos o nosso semelhante. De forma simplista, a esta relação de troca chamamos Educação.

Jacques Delors, no relatório para a UNESCO intitulado "Educação: Um Tesouro a Descobrir", apresenta-nos os quatro pilares fundamentais da educação: aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a viver juntos; e finalmente aprender a ser.

O ensino tradicional, em Portugal, foca-se essencialmente no pilar "aprender a conhecer", que tem por objetivo dotar o aluno de meios para realizar uma aprendizagem autónoma, a fim de compreender e descobrir o mundo que o cerca. As novas tecnologias têm vindo a assumir um papel preponderante nesta área. Por outro lado, as reformas no ensino, que têm vindo a ser feitas, têm por objetivo o pilar "aprender a fazer", a fim de que o aluno adquira competências para "fazer", que incluem a capacidade de comunicar, de trabalhar com os outros e de gerir e de resolver conflitos.

"Aprender a viver juntos" é um pilar que não é nem deve ser restrito ao ensino, mas é, todavia, inerente à educação em sociedade. É um dos grandes desafios da sociedade do século XXI, que atua no campo das atitudes e valores. Aqui incluem-se o combate ao conflito, ao preconceito, às rivalidades milenares ou diárias, sejam de índole racista, religiosa ou xenófoba, ou outras fora do espetro escolar.

Finalmente, o último pilar fundamental da educação e conceito principal porque integra todos os anteriores: "aprender a ser". O objetivo final da educação é a formação do ser, enquanto indivíduos autónomos, "intelectualmente ativos e independentes, capazes de estabelecer relações interpessoais, de comunicarem e evoluírem permanentemente, de intervirem de forma consciente e proativa na sociedade" (Wikipédia).

Infelizmente, o conceito de educação nas mais diversas sociedades é muito diferente daquele que Jacques Delors nos apresenta e idealiza no seu relatório. Muitas vezes, a educação que existe é aquela que é imposta à força ou que existe parcamente e onde o indivíduo não é ou não está autorizado a ser autónomo e não chega a saber o que é a intervenção consciente e proativa na sociedade.