As eleições autárquicas são a forma de escolher a composição dos órgãos das autarquias (Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia), que constituem a estrutura política mais próxima dos cidadãos e são expressão da autonomia de cidades, vilas e aldeias. A autonomia e o estatuto de concelhos e freguesias foram consagrados com a Constituição de 1976. O concelho é a unidade-base do poder local em Portugal, tendo a Junta de freguesia poderes limitados relativamente à Câmara Municipal. Em todo o caso, nas eleições autárquicas vota-se para constituir a assembleia de freguesia, a assembleia municipal e a câmara municipal, que podem provir de partidos políticos ou de movimentos de cidadãos independentes.

Apesar de terem como foco a composição do poder local, as eleições autárquicas continuam a ser vistas, ao nível central, como uma sondagem oficial ou uma forma de avaliação intermédia da acção do governo em exercício. Acredita-se que um partido com baixa popularidade a nível nacional venha a ter piores resultados a nível local.

Por outro lado, uma eleição local obedece sempre a critérios particulares, que nem sempre são compreendidos por eleitores de outros municípios ou regiões. Ficaram célebres os textos humorísticos de Ricardo Araújo Pereira sobre o mistério da reeleição de Isaltino Morais em Oeiras e de Fátima Felgueiras em Felgueiras, apesar das acusações judiciais que sobre eles pendiam. Aparentemente, o eleitorado local não valorizou as acusações em termos éticos, não lhes reconheceu credibilidade - numa clara derrota da Justiça - ou simplesmente preferiu votar em função do trabalho desenvolvido no terreno

A governação das Câmaras Municipais mais importantes é habitualmente vista como um cargo de relevância para políticos com ambições nacionais, com o eleitorado a reconhecer e aceitar vários exemplos. Foi o caso do Jorge Sampaio, que passou do município de Lisboa para a presidência da República; de Pedro Santana Lopes, cujo consulado na Figueira da Foz se tornou célebre; de António Costa, escolhido pelos socialistas para líder do PS depois de passar pela Câmara; e de Rui Rio, que, não tendo sido ainda eleito para outro cargo, é um nome várias vezes apontado como futuro líder do PSD e primeiro-ministro depois de 10 anos à frente da câmara do Porto.