As eleições presidenciais são o meio através do qual é escolhido o presidente da República, o mais alto magistrado da Nação. Depois da queda da Monarquia, em 1910, este cargo (mudando de nome e de natureza) deixou de ser hereditário e passou a ser transmitido por eleição, ora por uma assembleia ou um colégio restrito, ora por sufrágio universal e directo. O primeiro presidente eleito foi Manuel de Arriaga, em 1911. Em Portugal, após o sufrágio de 2011 que determinou a reeleição de Cavaco Silva, o próximo é realizado no início de 2016.

Teoricamente, o Presidente da República encontra-se acima dos partidos e não deve actuar em função de nenhum deles em particular; contudo, é prática corrente que cada partido expresse publicamente o seu apoio a um determinado, que provirá da sua área política, de forma a orientar o seu eleitorado nesse sentido.

Terminado o período revolucionário de 1974-76, as primeiras eleições presidenciais o general Ramalho Eanes tornar-se vencedor, sendo reeleito em 1981. O general veio a estabelecer o que se tornou um padrão ao longo dos 40 anos seguintes, no sentido em que o eleitorado acaba sempre por premiar o presidente em exercício com a reeleição. O mesmo sucedeu com Mário Soares (eleito em 1986 e reeleito em 1991), Jorge Sampaio (1996 e 2001) e Cavaco Silva (2006 e 2011) .

O regime semi-presidencialista português determina, em linha com uma grande parte dos modernos regimes democráticos da Europa (e ao contrário do que sucede em França ou nos Estados Unidos da América), que os poderes do presidente, enquanto primeira figura do estado, são limitados. Em Portugal, o presidente não pode ter a iniciativa de legislar nem de interferir com o funcionamento dos tribunais; no esquema da divisão de poderes, cabe-lhe o poder executivo ("fazer cumprir as leis"), ou seja, ser o garante e a "reserva moral da Nação". O seu poder de veto às iniciativas legislativas da Assembleia da República pode ser contrariado, com os poderes de que a Assembleia dispõe.

Neste sentido, as eleições presidenciais não têm a mesma carga decisiva que as legislativas ou até as autárquicas. Contudo, o que lhes falta em importância prática sobra-lhe no carisma, uma vez que se os eleitores não escolhem partidos nem políticas, mas personalidades, com o seu currículo pessoal e o seu carisma.

Todavia, o presidente dispõe de um poder crucial: dissolver a Assembleia e convocar novas eleições legislativas, de acordo apenas com o seu entendimento pessoal. Tal aconteceu em 2004, quando Jorge Sampaio dissolveu a Assembleia, penalizando a governação do primeiro-ministro Santana Lopes. Apesar dos protestos de Santana, o eleitorado votou massivamente no Partido Socialista de José Sócrates, validando desta forma a decisão de Sampaio. Até hoje não se colocou, na opinião pública, a possibilidade de este poder presidencial ser excessivo ou dever ser limitado.