As eleições constituem o meio através do qual um grupo de eleitores, através do voto, escolhe uma pessoa ou um movimento ou partido para ocupar um órgão de poder. Habitualmente a palavra é referida no plural, não só por existirem vários tipos de eleições para a escolha dos órgãos de poder num país, mas por que se espera que tornem a acontecer após um dado período de tempo, garantindo a rotatividade de quem ocupa um cargo de poder e impedindo a ditadura, que alguém se eternize num cargo sem estar sujeito a esta forma de avaliação. Associada ao conceito moderno de democracia, a ideia de eleições acompanhou o desenvolvimento dos regimes democráticos na Europa Ocidental, sendo hoje um instrumento político generalizado por todo o mundo. Tal acontece mesmo em regimes onde são notórias as restrições às liberdades civis e políticas da população ou de parte dela, mesmo que as escolhas sejam muito limitadas, como acontece em algumas monarquias teocráticas.

As eleições são o ponto de viragem, que pode inverter um ciclo político ou dar-lhe continuidade, traduzindo a substituição do conflito social e político por meios pacíficos. Daí que a sua aproximação, no calendário, crie expectativas e mais interesse na opinião pública em geral, ávida de informação que lhe permita votar em consciência. É nesse contexto, por exemplo, que se explica o crescendo de interesse em torno dos candidatos à Presidência da República, das eleições de 2016. Na Europa Ocidental, e nomeadamente em Portugal, tem-se verificado um aumento do abstencionismo, à medida que os sistemas políticos parecem menos capazes de responder às aspirações dos cidadãos. Contudo, uma eleição pode sempre ter fortes repercussões internacionais, como aconteceu no caso da vitória do Syriza, na Grécia, no início de 2015.

Em Portugal realizam-se eleições com regularidade desde o século XIX e a chegada do regime constitucional, ainda que por vezes condicionadas pelo poder político, consoante as épocas. Actualmente, o sistema político comporta quatro géneros de eleições nacionais: as legislativas (para escolha dos deputados à Assembleia da República, e por essa via a escolha do primeiro-ministro e respectivo partido), as presidenciais (para a Presidência da República), as autárquicas (para os órgãos do Poder Local, as Câmaras Municipais e as Juntas de Freguesia) e ainda as europeias (para os deputados ao Parlamento Europeu, sendo Portugal membro de pleno direito da União Europeia). Adicionalmente, realizam-se nos Açores e na Madeira as respectivas eleições legislativas regionais, para a composição das Assembleias e dos Governos de ambas as regiões.

Naturalmente que outras eleições suscitam o interesse da opinião pública, nomeadamente as que influenciam a vida dos maiores partidos políticos, como foi o caso do sufrágio para a escolha do sucessor de Alberto João Jardim à frente do PSD/Madeira. O vencedor, Miguel Albuquerque, conseguiu posteriormente vencer as legislativas regionais, confirmando assim que a vitória no sufrágio interno do partido foi decisiva para a constituição do governo regional seguinte.