Eusébio, de nome completo Eusébio da Silva Ferreira, foi o mais reconhecido desportista português do século. Futebolista de excepção, alinhou pelo SL Benfica durante a maior parte da sua carreira, sendo a figura maior do período de domínio dos encarnados no futebol nacional, nas décadas de 60 e 70. Já pela selecção nacional, ficou célebre a influência das suas performances no Mundial de futebol de 1966, onde Portugal conseguiu um inédito 3º lugar, e tendo Eusébio sido o melhor marcador. Considerado como um mito pelos benfiquistas, morreu em 5 de Janeiro de 2014, sendo o seu funeral um dos maiores de sempre em Portugal.

A sua superior qualidade de jogo, em termos de drible, colocação e potência de remate, era completada por uma atitude de profissionalismo e dedicação pouco frequente para a época. O "King", como foi alcunhado, representou para várias gerações de portugueses o expoente máximo do Benfica e do futebol. Esteve presente na segunda vitória do Benfica na Taça dos Campeões Europeus, em 1962. Do Mundial de 1966, entre outras exibições, ficou célebre a forma como motivou os colegas e virou o jogo contra a Coreia do Norte, depois de a selecção se encontrar a perder por 3-0. Eusébio marcou 4 golos de um resultado final de 5-3. Em vários rankings, por parte de organismos oficiais e publicações ligadas ao futebol, Eusébio é colocado de forma regular entre os 10 melhores jogadores de futebol de todos os tempos.

Nascido em Moçambique em 1942, Eusébio passou a viver na metrópole quando ingressou no Benfica e optou pela nacionalidade portuguesa depois da independência do seu país. É voz corrente que Salazar o considerava um elemento fundamental da identidade portuguesa enquanto país plurirracial, e que por esse motivo terá directamente impedido a sua saída para o campeonato de futebol italiano, onde era pretendido.

Depois de sair do Benfica, o Pantera Negra não quis deixar o futebol e alinhou numa carreira que o levou a jogar no México e nos Estados Unidos, bem como pelo SC Beira-Mar e pelo União de Tomar. Depois de um período de esquecimento, o Benfica soube agradecer e reconhecer tudo o que Eusébio lhe deu - afinal, gerações de benfiquistas são-no, principalmente, por causa do Pantera Negra.

O reconhecimento internacional do King, granjeado não apenas no Mundial de 1966 mas com as exibições internacionais do Benfica dessa época, ficou bem patente no momento do seu falecimento, que se tornou notícia por todo o mundo. O seu estatuto entre os benfiquistas já havia sido estabelecido com a colocação, em vida, de uma estátua à porta do estádio da Luz; para Portugal, o reconhecimento veio sob a forma da trasladação para o Panteão, concretizada em Julho de 2015.