Até há alguns anos, perdurava um conceito estatístico de que a família geralmente incluía um marido, esposa e 2 ou 3 filhos. Embora isto seja algo que nos pareça natural, é preciso lembrar que até há menos de um século, as famílias com 12 a 14 crianças eram comuns (e em alguns países ainda o são).

Nas últimas décadas temos vindo a assistir a uma mudança gradual, mas constante, no conceito de família. Esta mudança coloca alguns pontos de interrogação sobre o futuro da família e, talvez, da raça humana em geral. Não há apenas uma mudança radical na taxa de crescimento da população, mas há uma significativa mudança de atitude em relação a paternidade, matrimónio e os parceiros que constituem a família.

Há vários estudos científicos que demostram que, a fim de manter o mesmo nível de população, um país precisa de uma taxa de natalidade de 2,1 (pelo menos). Qualquer valor abaixo disso provocará mudanças no tecido demográfico, e quanto mais baixos os números mais extrema a mudança se tornará. Hoje, a maioria dos países europeus não estão nem perto da taxa ideal e na América os números também estão a cair rapidamente.

As taxas de casamento/divórcio ultrapassaram 1:1 em muitos países e há mais divórcios. Para piorar a situação, a idade média do casamento subiu dramaticamente. Não é raro ver mulheres acima de 30 anos ainda à espera da oportunidade certa para casar e alguns casais preferem viver apenas juntos.

Mesmo desconsiderando tudo o que foi mencionado anteriormente, assistimos a um aumento das famílias monoparentais e também de casais unissexuais. Igualmente, a crise financeira internacional tornou-se uma importante consideração no planeamento familiar em todo o mundo.

É claramente óbvio que algo de desastroso está a acontecer no mundo. Mas como o progresso destes fenómenos é gradual, a sociedade adapta-se a eles. A maioria das pessoas tende a ignorá-los, mesmo que sejam já bastante sentidos em muitos países, causando mudanças previsíveis e provocando alterações demográficas nunca antes vistas. Definitivamente estamos a viver numa era diferente e a família mudou com ela.