Fernando Pessoa foi um poeta português, símbolo do Modernismo e considerado um dos nomes mais brilhantes da Literatura portuguesa de todos os tempos. Obtendo um reconhecimento muito discreto em vida, a esmagadora maioria da sua obra foi deixada inédita e publicada de forma póstuma; até hoje continuam a surgir e a ser publicados trabalhados inéditos deste autor falecido em 1935. A genialidade do seu trabalho literário veio a ser reconhecida não apenas em Portugal ou no mundo lusófono mas inclusivamente nos meios literários internacionais, encontrando-se hoje traduzido em várias línguas. Encontra-se sepultado no Mosteiro dos Jerónimos, em jeito de homenagem por parte do governo português.

Pessoa nasceu em Lisboa em 1888 e foi educado na África do Sul, na sequência da morte do seu pai e do casamento da sua mãe com o cônsul de Portugal em Durban. Voltando a Portugal no início da idade adulta, estabelecendo-se como tradutor de correspondência comercial, na que seria a sua principal profissão ao longo da vida. Em 1915, participou no lançamento da revista Orpheu, que marcou o movimento Modernista em Portugal, ainda que tenham sido publicados apenas 2 números. Nomes como Almada Negreiros, Mário de Sá-Carneiro e António Ferro estiveram igualmente ligados a "Orpheu".

Fernando Pessoa levou uma vida discreta, nunca tendo casado, e nunca tendo publicado o imenso trabalho da sua poesia. Morreu aos 47 anos em consequência de uma crise hepática (num diagnóstico que veio a ser posto mais tarde), acreditando-se que o excesso de consumo de álcool tenha contribuído de forma relevante.

O génio poético e criativo de Fernando Pessoa manifestou-se não apenas no domínio e utilização da língua portuguesa - é dele, entre tantas outras, o verso "a minha Pátria é a minha língua" - mas também pela criação dos heterónimos, personagens poéticas fictícias em nome das quais assinou obras de carácter distinto. A capacidade de criar personagens com personalidades, motivações e temas diferentes, e conseguir atribuir uma extensa obra poética a cada uma delas, é um feito quase sem igual na literatura universal.

São-lhe atribuídos cerca de 70 heterónimos, sendo 4 os mais relevantes: Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Bernardo Soares, sendo este último praticamente um pseudónimo relativamente aos pensamentos e preocupações do próprio pessoa. "O Guardador de Rebanhos", de Caeiro, e "Tabacaria", de Campos, são apenas alguns dos mais brilhantes trechos de literatura da língua portuguesa.

Fernando Pessoa escreveu também em nome próprio, principalmente ensaios sobre política e filosofia. O presente e o futuro de Portugal foi um tema sempre presente entre as suas preocupações, e será esse também o tema da única obra que publicou em vida - o poema "Mensagem", com o qual venceu num concurso do Secretariado da Propaganda Nacional, um ano antes da sua morte. Poema de homenagem aos heróis de Portugal, recuperando o simbolismo de Luís de Camões, pode dizer-se que a "Mensagem" é a versão modernista, século XX, de "Os Lusíadas". Não será por acaso que o crítico literário Harold Bloom, na sua obra "Génio - os 100 autores mais criativos da História da Literatura", inclui precisamente Pessoa e Camões (juntamente com Eça de Queirós.)