A FIFA (acrónimo de “Fédération Internationale de Football Association”, no francês original) é a instituição responsável pela organização e regulação do futebol, a título oficial e a nível mundial. Neste sentido, é a entidade que organiza os campeonatos de futebol de selecções e que superintende, a nível máximo, as diversas organizações e competições a nível continental. Foi fundada em 1904, sendo que a Inglaterra, país inventor do futebol, não fazia parte da composição original, o que ajuda a explicar a manutenção do seu nome em língua francesa até hoje. O presidente actual, Joseph Blatter, foi suspenso do cargo em Outubro de 2015, substituído de forma interna por Issa Hayatou.

Os especialistas em Relações Internacionais apontam a FIFA como uma das organizações não-governamentais mais poderosas do mundo. Registada na Suíça sob a forma de organização de caridade (estatuto que carrega desde a sua fundação), a organização tira partido da sua presença num Estado conhecido pelo seu estatuto de neutralidade e impenetrabilidade. Além de pagar poucos impostos no país onde está, a FIFA solicita isenções fiscais aos países que se candidatam à organização do Mundial de Futebol – no que é apenas uma das face do seu elevado poder de negociação e influência. Este poder deriva, naturalmente, da intensa influência que o futebol, enquanto fenómeno desportivo, sociológico, cultural, económico e político, granjeou a nível planetário ao longo do século XX.

Um dos sintomas deste poder é o número de países membros; diz-se que a FIFA tem mais membros que a própria ONU, o que corresponde quase inteiramente à verdade, uma vez que a organização do futebol admite territórios dependentes (como Gibraltar) ou não reconhecidos oficialmente (como Taiwan), além do clássico exemplo de reconhecer as quatro nações do Reino Unido de forma separada. Outro sintoma é a forma como o seu sistema jurídico interfere com os tribunais nacionais. Em Portugal, os clubes de futebol que recorram aos tribunais civis, como recursos aos tribunais próprios da Federação – filiada na FIFA – arriscam pesadas consequências.

Para os adeptos comuns, que querem ver Cristiano Ronaldo contra Lionel Messi e sonham ver o Sporting CP, o SL Benfica ou o FC Porto a vencer a Liga dos Campeões (organizada pela UEFA, entidade continental afiliada na FIFA), e aguardam para ver o grande Mundial de 4 em 4 anos, a FIFA não deveria ser um tema de interesse principal. Contudo, após anos de suspeitas de corrupção numa entidade pouco escrutinada pelos poderes públicos, e depois dos indícios de subornos nas atribuições dos Mundiais de 2018 e 2022 à Rússia e ao Qatar, o escândalo rebentou de forma séria ao longo de 2015, com a detenção de altos dirigentes e as investigações ao próprio Blatter, colocando a FIFA nas manchetes da imprensa. “Sepp” Blatter resistiu a todas as pressões – incluindo à de Luís Figo, que abandonou ostensivamente à candidatura à presidência por considerar que não seria um acto eleitoral normal – para se fazer reeleger, mas acabou por ser suspenso. E apesar de o futuro da instituição ser incerto, no curto prazo, o futebol continua a movimentar paixões a nível mundial, pelo que é de crer que a estrutura venha a conseguir ultrapassar as dificuldades actuais.