José Sócrates Carvalho de Pinto de Sousa, conhecido apenas como José Sócrates, foi primeiro-ministro de Portugal entre 2005 e 2011, em governos do Partido Socialista. Este foi o cargo mais importante de uma carreira política que incluiu o cargo de ministro do Ambiente no governo de António Guterres e responsabilidades na organização do Euro2004. Nascido em 1957, concluiu o bacharelato em Engenharia Civil no ISEC (Coimbra) em 1979. É militante do PS desde o início da década de 80.

Os seus mandatos foram marcados por um conjunto de iniciativas que marcaram o debate político de meados da primeira década deste século, todas elas relacionadas com a intervenção do Estado na economia. Se a sua primeira medida tentava (e terá talvez falhado) liberalizar o monopólio das farmácias, os governos do "animal feroz" ficaram célebre pelo Simplex (programa de simplificação e informatização da Administração Pública), pelo programa Novas Oportunidades (certificação de competências), estágios InovJovem e InovContacto ou o Magalhães, a iniciativa de oferecer computadores portáteis aos alunos do 1º ciclo. Bastante criticados pela oposição foram os projectos de obras públicas, como o do novo aeroporto de Lisboa, o TGV e a Terceira Ponte sobre o Tejo (que não se vieram a concretizar), bem como o de algumas auto-estradas que muitos consideram inúteis do ponto de vista prático.

Contudo, a sua governação fica indelevelmente marcada pela chegada da Troika. Na sequência da crise provocada pela falência do Lehman Brothers, os juros da dívida pública dos países da Europa do Sul começaram a subir, com os mercados financeiros aparentemente receosos relativamente à capacidade dos respectivos governos de conter a subida do défice. Em 2011, e depois de pressionado por vários sectores sociais e políticos, Sócrates foi praticamente desmentido pelo seu Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, que reconheceu que o Estado português não teria capacidade para gerir a dívida pública sem auxílio do FMI e das instituições europeias. O primeiro-ministro demitiu-se na sequência deste processo.

Ademais, vários escândalos e polémicas marcaram os seus mandatos; fosse as circunstâncias de obtenção da sua licenciatura na Universidade Independente (concluída oficialmente a um domingo de manhã), uma suspeita de corrupção em torno do licenciamento da área comercial Freeport em Alcochete, relatórios relativos à fortuna pessoal da sua mãe ou o seu eventual envolvimento no escândalo Face Oculta. Depois de deixar o governo, Sócrates efectuou um mestrado em Ciência Política em Paris.

Em Novembro de 2014, José Sócrates foi detido no aeroporto de Lisboa, quando chegava vindo da capital francesa. A iniciativa partiu do juiz Carlos Alexandre, responsável do Tribunal Central de Investigação Criminal de Lisboa. Sob o ex-primeiro-ministro penderam suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal, dando corpo às desconfianças veiculadas nos media portugueses relativamente ao estilo de vida luxuoso de Sócrates em Paris. Os seus apoiantes referiram que se tratava de uma jogada dos partidos de Direita para denegrir o nome do ex-primeiro-ministro e prejudicar a campanha eleitoral de António Costa e do PS para as eleições legislativas de 2015. Em Setembro de 2015, já em período de campanha eleitoral, o ex-líder socialista foi colocado em prisão domiciliária, ainda sem acusação formada.