Os jovens são encarados como fenómenos sociológicos desde há séculos, mas o fenómeno ganhou novo destaque a partir dos anos 60, com a “revolução cultural” trazida pela juventude da época. Ao conceito de geração X, relativo aos nascidos no pós-segunda guerra Mundial, seguiu-se o conceito de geração Y – ou millenials, nascidos a partir do início dos anos 80 – e mais recentemente o de geração Z. Se é certo que existem muitos outros factores a ter em conta numa caracterização sociológica – nível de habilitações e rendimento dos pais, etnia e nacionalidade, residência em área urbana ou rural, etc – é também verdade que um determinado ambiente cultural e tecnológico atinge todos os membros de uma faixa etária da mesma forma. E é certo que a nova geração, de uma forma ou de outra, virá a “governar” a sociedade no futuro.

Ainda é a geração Y que surge no Facebook e em outras redes sociais partilhando conteúdos relativos à forma como as crianças brincavam nos anos 80, com um ambiente tecnologicamente incipiente e poucos conceitos de segurança, mas já num mundo irreconhecível do ponto de vista dos seus pais. Por outro lado, a geração Z - considerando-se como os que nasceram a partir de 1995, e estão portanto a atingir agora a idade adulta - está tão à vontade com as apps e os sistemas operativos mobile que já pensa em evitar o Facebook e procurar redes sociais alternativas, de forma a não encontrar os seus pais e avós na rede social de Mark Zuckerberg. Além disso, a geração Z não estranha andar de bicicleta sempre com capacete, já não vê o tabaco como um símbolo de libertação ou coolness, e os seus hábitos alimentares dos mais jovens poderão ser mais esclarecidos que os das gerações anteriores.


Os estudos sociológicos sobre os valores geracionais partem principalmente, dos Estados Unidos, e nem sempre é fácil extrapolar para outras sociedades, como é o caso da portuguesa. Em Portugal é notório que a geração Z tem um maior à vontade com a internet e as tecnologias de comunicação (computadores, tablets e smartphones), sente-se que aprecia formas de comunicação mais genuínas e menos formais – como se vê em campanhas de comunicação dedicadas a este target, como a WTF do MEO. Por outro lado, o grau de abstencionismo dos mais jovens eleitores corresponde, na prática, por um forte sentimento de que não parece ser possível mudar ou alterar o que não está bem na sociedade, o que contrasta com as gerações anteriores.

Em todo o caso, situações como a feroz reacção ao caso Constança, de bullying numa escola da Figueira da Foz, vêm lembrar que os mais jovens têm bastante acesso a informação e que, além de ser a primeira geração digitalmente nativa a 100%, será também a primeira a conseguir lidar com essa informação. Pois embora sejam noticiados casos de jovens que se arriscam de forma aparentemente absurda – como foi o caso do train surfing do metro do Porto, ou do jogo do Facebook que consiste em desaparecer durante 72 horas – não existem dados que permitam estabelecer que se trata de práticas generalizadas; pelo contrário, a generalidade dos jovens já conhece claramente que se trata de práticas marginais.