As eleições legislativas são o momento mais importantes da vida política do regime democrático em Portugal, à semelhança do que acontece em outras democracias do tipo parlamentar na Europa e no Mundo. Através de voto secreto e presencial, os cidadãos recenseados são chamados a escolher o partido cuja lista de deputados pretendem que esteja presente em representação do seu círculo eleitoral (correspondente ao distrito.) Os 230 deputados à Assembleia da República são escolhidos em função da votação, através do método de Hondt. Além dos distritos e regiões autónomas, existem dois círculos eleitorais para os emigrantes ("Europa" e "Fora da Europa").

Apesar de os eleitores, em rigor, votarem num partido que representará o seu próprio distrito, na prática são estas eleições que determinam a escolha do primeiro-ministro e do partido que será chamado a formar governo. Este é um dos motivos pelos quais as legislativas se têm vindo a transformar progressivamente, ao longo de cerca de 4 décadas de regime democrático consolidado, num plebiscito em torno da pessoa escolhida pelos respectivos partidos enquanto líder, ganhando peso em relação às escolhas ideológicas. Outros motivos serão o distanciamento entre a classe política e o eleitorado, nomeadamente as deficiências na ligação entre os deputados eleitos e os respectivos círculos. Os eleitores sentem, na prática, que os deputados eleitos representam as orientações dos seus partidos, mais do que os interesses particulares dos seus distritos.

Este distanciamento tem vindo a pôr em causa o papel efectivo das legislativas enquanto instrumento da vontade dos cidadãos, fenómeno que não é de forma alguma exclusivo de Portugal. Os níveis de abstenção têm vindo a aumentar progressivamente em vários países da Europa. Ainda assim, a atenção em torno das propostas dos partidos, dos debates entre líderes partidários, das sondagens pré-eleitorais e até dos escândalos em torno de figuras importantes dos partidos continua a dominar a atenção da sociedade civil

A Constituição prevê que o mandato de uma Assembleia, e por consequência do governo que se tenha formado, tenha a duração de 4 ano. Após esse período é convocada nova eleição, de forma a que os cidadãos com direito de voto sejam chamados a pronunciar-se. Contudo, durante o regime da Terceira República iniciado em 1976 têm sido várias as ocasiões em que os mandatos são interrompidos, quer por demissão do primeiro-ministro, quer por iniciativa do Presidente da República. O Partido Socialista, o Partido Social-Democrata e o Centro Democrático Social/Partido Popular são os partidos que, de forma isolada ou em coligação, têm obtido maiorias na Assembleia e formado Governos desde 1976 (com a breve excepção do Partido Popular Monárquico, integrando a coligação Aliança Democrática vitoriosa em 1980.)