Mariana Mortágua é uma política portuguesa, sendo deputada à Assembleia da República pelo Bloco de Esquerda, tendo substituído Francisco Louçã. Nascida em 1986, é filha de Camilo Mortágua, nome sonante da resistência armada ao regime do Estado Novo e membro da LUAR (Liga de Unidade e Acção Revolucionária). Em 2013, foi escolhida pelo Bloco para substituir Ana Drago, numa decisão que causou polémica no interior do partido. Licenciada e Mestre em Economia, interrompeu um doutoramento também em Economia (que fazia em Londres) para se tornar um dos rostos mais visíveis da acção política do Bloco.

A deputada do Bloco granjeou amplo mediatismo na sequência do seu desempenho durante a comissão parlamentar de inquérito ao caso em torno do Grupo Espírito Santo (GES) e da Portugal Telecom. Ficou célebre a intervenção perante o ex-CEO da PT, Zeinal Bava, que não soube responder quando a deputada lhe perguntou por que motivo "80 a 90% da tesouraria da PT estava investida no mesmo grupo" (o GES), tendo Mortágua acabado por acusá-lo de amadorismo. Da mesma forma, o ex-líder do Grupo Espírito Santo, Ricardo Salgado, banqueiro com décadas de experiência, respondeu de forma sofrível aos vários pontos levantados por Mortágua com base nos dados disponíveis sobre a queda do grupo, quer em relação à rede de holdings e de investimentos cruzados montadas pelo BES, quer em torno dos conteúdos das gravações das reuniões do Conselho de Administração do Banco (fosse o pânico demonstrado por Salgado já em 2013, o contacto directo a Durão Barroso para intervir em favor do BES ou o motivo pelo qual o BES teria recebido uma parte do lucro da ESCOM no negócio dos submarinos, comprados pela Marinha portuguesa à Alemanha).

O seu currículo académico e os conhecimentos em economia e finanças foram essenciais, primeiro para ser a escolhida pelo Bloco de Esquerda para esta comissão, e depois para a forma enérgica e assertiva como rebateu as alegações dos envolvidos. A sua figura motivou inclusivamente o interesse da revista norte-americana Bloomberg, a quem o politólogo do ISCSP Costa Pinto referiu que Mortágua traduz o descontentamento popular em relação à elite financeira, ganhando pontos também pelo seu estilo pessoal.

Mariana Mortágua, pelo seu carácter combativo (quer no caso Espírito Santo quer nas suas intervenções no Parlamento e em debates televisivos) e pela sua juventude, tem sido considerada também como um dos rostos com maior capacidade de mobilização do Bloco, em especial junto dos jovens. Nesse sentido, foi uma das galardoadas nos Prémios Novos, uma iniciativa que premeia os jovens valores da sociedade portuguesa até aos 35 anos, com o prémio "Revelação".