O mercado de transferências é um dos aspectos mais interessantes para os adeptos do futebol moderno. Com as entradas e saídas de jogadores e treinadores, é aqui que se joga o futuro e se criam ou destroem expectativas em torno do rendimento das equipas para a época seguinte - ou para o resto da época. De forma a evitar a total desregulação de clubes e equipas, o mercado de transferências apresenta limites cronológicos, fora dos quais as transferências não são aceites pelos organismos oficiais. Em Portugal, o mercado está "aberto" nos meses de Julho e Agosto, voltando a reabrir no Inverno para permitir aos clubes consolidar os seus plantéis, tendo em conta a parte final da temporada.

Este limite tem dado origem a casos insólitos, quando os clubes falham por 1 ou 2 minutos o período estabelecido. Isto pode acontecer em casos em que as negociações se arrastam até ao final do prazo e/ou os clubes não conseguem cumprir com os necessários procedimentos burocráticos até às horas e minutos finais do último dia de Agosto. Foi o caso da falhada transferência de Yannick Djaló do Sporting Clube de Portugal para o Nice (por culpa do clube francês) e, mais recentemente, da "não ida" do guarda-redes David De Gea do Manchester United para o Real Madrid, deixando os adeptos "blancos" enfurecidos com a direcção do clube.

De forma consistente, o campeonato português tem sido um dos que consegue melhores resultados em termos de vendas de jogadores para clubes estrangeiros. Tal deve-se principalmente ao sucesso dos chamados "Três Grandes", e principalmente FC Porto e SL Benfica, na compra e desenvolvimento de jogadores. No mercado de Verão de 2015, os portistas facturaram 67 milhões de euros. O mercado permite a Porto, Benfica e Sporting obter rendimentos e aplicar posteriores investimentos que não seriam possíveis apenas com os valores de publicidade gerados pela Primeira Liga portuguesa.

Talvez nunca o mercado tenha sido tão "escaldante" para os adeptos em Portugal como o de 2015, com a inédita transferência do treinador Jorge Jesus do SL Benfica para o Sporting CP. O caso tornou-se altamente emotivo, dadas as diversas acusações de traição com a preferência pelo rival (por parte dos encarnados), de não ser querido pela direcção do Benfica (por Jesus), por se tratar de um erro de gestão e financeiro (pelos opositores internos à direcção do Sporting), tendo em conta o sucesso desportivo de Jesus no Benfica mas também o seu passado enquanto futebolista no Sporting.

E para envolver também o FC Porto na polémica deste mercado de transferências, o jogador benfiquista Maxi Pereira recusou uma proposta de renovação do clube da Luz para assinar pelos azuis-e-brancos, granjeando igualmente o desprezo dos adeptos encarnados.