Miguel Sousa Tavares, advogado de profissão, é conhecido enquanto jornalista e escritor e um dos grandes opinion-makers de Portugal. Natural do Porto, é filho de Francisco Sousa Tavares, jornalista e político, e de Sophia de Mello Breyner Andresen, que viu a sua contribuição enquanto poetisa ser reconhecida com a trasladação dos seus restos mortais para o Panteão. O seu estatuto enquanto líder de opinião tem-se construído com a sua presença na televisão e nos jornais, bem como com os seus cargos de direcção na imprensa escrita, ao longo dos últimos 25 anos. Polémico e capaz de criar quezílias, quer com os Gato Fedorento Zé Diogo Quintela e Ricardo Araújo Pereira, quer com o presidente Cavaco Silva (a quem chamou "palhaço", o que constitui crime), Miguel Sousa Tavares (MST) recusa ser uma figura consensual, em todos os aspectos.

Ao longo dos anos 90 participou em diversos programas de debate como "Terça à Noite", "Crossfire" (SIC) ou "Em Legítima Defesa" (TVI). É desde 2000 presença regular no noticiário nocturno da SIC uma vez por semana, geralmente às terças-feiras, na qualidade de comentador dos temas mais fortes do momento. A par da televisão, é um dos principais colunistas do jornal Expresso. A nível desportivo, é colunista em "A Bola"; sendo adepto do FC Porto, constitui-se como uma voz de "oposição", reflectindo a liberdade de opinião e comentário num jornal que está geralmente associado à massa adepta do SL Benfica.

As suas opiniões não são claramente alinháveis com qualquer quadrante político e ideológico. Bastante crítico da actuação dos governos de centro-direita, é também defensor das touradas e dos direitos dos fumadores, claramente ao arrepio das tendências dos sectores progressistas. Em Maio de 2015, defendeu publicamente o despedimento dos pilotos da TAP que tivessem participado na greve da transportadora aérea, caso os efeitos financeiros da greve obrigassem à redução de pessoal. Mas nem sempre suas as opiniões são polémicas ou minoritárias; o filho de Sophia de Mello Breyner é também um aberto opositor à implementação do Acordo Ortográfico de 1990, no que é acompanhado por uma larga maioria dos sectores do jornalismo e da literatura em Portugal.

MST é igualmente um nome com currículo na literatura portuguesa contemporânea, quer pelos seus romances ("Equador", "Rio das Flores", "Madrugada Suja"), quer pelos livros de contos ou pequenos textos de ficção ("Não Te Deixarei Morrer, David Crockett") e pelos de viagens ("Sul").