O conceito de moda é associado, de uma forma geral, ao vestuário e aos acessórios, mas a verdade é que a ideia do que está "in" e do que está "out" se aplica também a outras áreas da vida quotidiana, incluindo ao design dos automóveis, às zonas residenciais mais procuradas ou até aos restaurantes mais frequentados. Estar na moda é seguir tendências e estas são cada vez mais universais.

No que diz respeito à roupa, calçado e acessórios, essas tendências surgem nas passerelles muito antes de serem vistas nas ruas. Cidades como Londres, Milão, Nova Iorque ou Paris recebem duas vezes por ano as Semanas da Moda, onde marcas e criadores mostram as suas propostas com vários meses de antecedência: entre janeiro e abril, por exemplo, são apresentadas as coleções para o Outono/Inverno seguinte; as coleções de Primavera/Verão desfilam nas capitais da moda entre Setembro e Novembro. Esta antecipação destina-se a indústria possa incorporar essas tendências, inserindo-as nas suas coleções, permitindo também aos compradores encomendarem e adquirirem o que estará nas montras daí a alguns meses.

Nos últimos anos tem-se assistido também ao inverso: muitas vezes é a rua que inspira as passerelles e vários criadores acabam por adotar tendências vistas em pessoas comuns nas ruas das cidades mais cosmopolitas. E nos últimos anos assistimos à propagação das "it-girls". Se durante muitos anos as tendências foram ditadas por atrizes de cinema ou por personalidades como Jackie Kennedy, a internet permitiu que qualquer pessoa com um estilo próprio pudesse aparecer em blogs, vídeos ou fotos, influenciando milhares de pessoas em todo o mundo.

Este é mais um capítulo da chamada democratização da moda, que teve o seu apogeu com o surgimento do conceito de pronto-a-vestir. A criação de marcas e a abertura de lojas com uma grande variedade de artigos fizeram com que a moda passasse a estar mais acessível. As próprias casas de Alta Costura criaram linhas mais económicas, permitindo assim que um maior número de pessoas pudesse adquirir artigos que até então estavam ao alcance de muito poucos.

A democratização da moda não diminuiu o interesse pelas marcas de luxo. Pelo contrário: a exclusividade e a personalização tornaram-se mais desejadas do que nunca e permitiram que este negócio continuasse associado ao estatuto social e se tornasse mais um símbolo do poder económico.

A história da moda no último século está indiscutivelmente ligada a nomes como Coco Chanel, Yves Saint Laurent, Oscar de La Renta, Armani ou Valentino; nomes que se tornaram marcas e impérios e que continuam a simbolizar o glamour. Tom Ford, Marc Jacobs, Alexander McQueen, John Galliano ou Stella McCarteney também já tem um lugar garantido na história da moda e as suas criações disputam a passadeira vermelha e as capas das revistas com os nomes mais tradicionais.

O "boom" da moda nacional aconteceu há cerca de 25 anos, quando foram criados os primeiros cursos de estilismo. Hoje em dia, nomes como José António Tenente, Luís Buchinho, Miguel Vieira ou Fátima Lopes são reconhecidos pelo público nacional e internacional. A ModaLisboa e o Portugal Fashion contribuíram, nos últimos 25 anos, para a divulgação e consolidação da moda "made in Portugal".