A Nokia é uma marca incontornável no sector das telecomunicações, conhecida por todo o mundo enquanto fabricante de telemóveis de qualidade superior. Vários dos seus modelos de telemóvel encontram-se entre os mais vendidos de todos os tempos. Esta empresa multinacional de origem finlandesa desapareceu das manchetes da imprensa e o seu nome começa a perder força junto dos utilizadores de electrónica a nível mundial, uma vez que teve dificuldades em acompanhar o surgimento do smartphone.

É pouco divulgado o facto de que a Nokia não nasceu para fabricar telemóveis simples, versáteis e resistentes. Fundada em 1865 enquanto fábrica de papel (e décadas antes de a Finlândia obter a sua independência da Rússia), a Nokia adaptou-se progressivamente a novos desafios. No início do século XX produzia cabos eléctricos, e em meados do século já existia um departamento de electrónica. A empresa foi depois pioneira no desenvolvimento dos telemóveis, tendo sido através dos seus equipamentos que se enviou a primeira SMS (mensagem escrita). Ao longo da década de 90 e na viragem do milénio, a empresa tornou-se líder mundial. De acordo com a Wikipédia, os modelos 1100 e 1110 alcançaram, ambos, os 250 milhões de unidades vendidas.

Contudo, a Nokia não conseguiu acompanhar a gradual substituição do telemóvel pelo smartphone, um movimento que ganhou uma aceleração substancial com o surgimento do primeiro iPhone, lançado pela Apple em 2007. Os finlandeses não conseguiram acompanhar a inovação do rival americano (e de outros fabricantes asiáticos, como a Samsung) e as acções da Nokia perderam 90% do seu valor desde 2007, de acordo com a Economist.

A importância global da Nokia reflectiu-se igualmente no peso da histórica empresa no conjunto da economia finlandesa. Ainda segundo a Economist, a empresa contribuiu com um quarto do crescimento da Finlândia entre 1998 e 2007, pagava também quase um quarto do montante dos impostos sobre as empresas no país, e o seu investimento em Investigação & Desenvolvimento representava quase um terço do total nacional. Não é surpreendente que os anos difíceis vividos pela marca se tenham reflectido negativamente no conjunto da economia finlandesa e nas suas perspectivas macro-económicas.

A solução passou por uma parceria com Microsoft, que resultou no desenvolvimento dos smartphones Nokia Lumia, equipados com sistema operativo Windows Phone - que pretendia tornar-se uma terceira via, concorrendo contra a predominância do iOS da Apple e do Android da Google (e utilizado pela maioria dos fabricantes. Em 2014, concretizou a venda à Microsoft da divisão de smartphones, e em consequência o nome da marca finlandesa desapareceu da gama Lumia, que passou a intitular-se Microsoft Lumia.

Contudo, tal não significou que os finlandeses tenham desistido do sector das telecomunicações, e muito menos que tenham desaparecido. Em 2015 concretizou-se a compra da francesa Alcatel por parte da Nokia, criando um novo gigante mundial na área das redes (hardware e software), mantendo os finlandeses envolvidos neste sector.

Num país aberto à inovação, onde o próprio sistema educativo está culturalmente preparado para se adaptar às necessidades dos novos tempos, e numa empresa com uma história e tradição de inovação ao longo de um século e meio, é de esperar que a Nokia continue a ocupar uma posição de destaque no panorama das comunicações e da tecnologia ao longo deste século.