Obras Públicas é a expressão utilizada, em linguagem corrente, para designar a construção ou reparação de infra-estruturas de serviço público e por iniciativa do Estado. Auto-estradas e outras vias de comunicação e transporte, redes de distribuição de água e saneamento. Nas últimas três décadas, a construção pública foram vistas como um dos principais factores de desenvolvimento da economia portuguesa, procurando-se simultaneamente criar infra-estruturas para melhorar o bem-estar das populações e promover o desenvolvimento económico, mas também criar empregos, de forma directa e indirecta, com a aposta neste tipo de iniciativa estatal. Esta visão estrutural era coincidente com os objectivos da Comunidade Económica Europeia - depois União Europeia - tendo Portugal e outros países considerados deficitários em termos de infra-estruturas recebido ajudas monetárias para impulsionar esta dinâmica. Neste sentido, e principalmente depois da adesão à CEE em 1986, o país viveu um intenso frenesim de construção (que se estendeu, no sector privado, ao imobiliário).

Nem todos os sectores receberam o mesmo grau de investimento. Se, por um lado, Portugal tem uma das melhores redes de auto-estradas do mundo - e a qualidade da rede viária é também elevada - por outro lado o transporte ferroviário foi totalmente esquecido, com o encerramento de vias férreas e a não aposta na electrificação. Ao lado do Governo, também as autarquias apostaram consideravelmente em infra-estruturas, quer na rede de água, esgotos e no asfaltamento de ruas, quer em piscinas, pavilhões e outros edifícios públicos relevantes. Mário Lino, Jorge Coelho, António Mexia, Carmona Rodrigues, Murteira Nabo e Ferreira do Amaral foram alguns dos mais relevantes ministros das Obras Públicas.

Nos últimos anos, a pertinência desta "âncora" do desenvolvimento económico foi seriamente posta em causa. Depois dos projectos da administração Sócrates, como o TGV, o novo Aeroporto e a terceira Travessia sobre o Tejo terem sido "colocados na gaveta", por insuficiência financeira do Estado português e no contexto do resgate financeiro de 2011, a chamada "política do betão" começou a ser vista como uma manifestação excessiva de despesa do estado. O facto de as auto-estradas terem pouco trânsito, dados os incomportáveis valores das portagens, enquanto as estradas nacionais apresentavam níveis de tráfego excessivos, foi uma das causas desta nova perspectiva.

Sinal dos novos tempos foi a declaração do primeiro-ministro Passos Coelho, em Dezembro de 2014, que explicitamente desprezava o caminho tomado por governos anteriores, ao referir que "pela primeira vez em muitos anos o país já não estava dependente das obras públicas." Passos Coelho já havia dado o passo ao integrar este ministério no ministério da Economia e do Emprego. Porém, a construção pública continua a ser necessária, ainda que numa escala menor, como é o caso do Vale do Lis, cujos moradores continuam a exigir a construção de uma estação de tratamento de efluentes suinícolas.