É conhecido pela sua voz grave, pelas baladas ao piano, pelos comentários políticos que não dispensa nos concertos, bem como pelos omnipresentes óculos escuros com que sempre é visto fora de casa. Mas quem é, na realidade, o homem por detrás de canções como "Momento", "Não Posso Mais" ou "Se Fosse Um Dia o Teu Olhar?". Nascido há 54 anos, Pedro Abrunhosa é um cantor, músico e compositor natural no Porto. Mas mais do que um mero entertainer, estrela de palcos ou fabricador de sucessos, podemos descrevê-lo como um melómano.

Afinal de contas, Abrunhosa é um homem que se entregou, de corpo e alma, à música. Senão, vejamos: estudou num conservatório do Porto? Check! Recebeu convites para colaborar com compositores de renome? Parece que sim! Apaixonou-se, desde cedo, pelo contrabaixo? Confere! Participou em grupos de jazz? Pois claro! Deu aulas de música? Oui, oui! Tudo isto antes de se tornar no Pedro Abrunhosa que hoje conhecemos.

Esse - o tal senhor calvo, de óculos escuros, voz grave e pose sedutora - entrou-nos pela rádio e pela TV em 1994, quando surgiu o seu primeiro disco: "Viagens". Estão a ver qual é? Aquele que tem "Tudo o que eu te Dou", "Socorro" e "É Preciso ter Calma". Aquele que influenciou gente do Porto, como os Clã ou os Ornatos Violeta. Aquele que celebrava o amor, o sexo, e a cidade invicta de uma forma que até então ninguém ousara dentro do nosso rectângulo. A partir de então, o seu caminho foi sempre a subir: os discos foram-se seguindo, os sucessos acumulando e as opiniões polarizando-se.

Há quem o acuse de não ter voz para ser cantor a sério, enquanto outros elogiam a sua postura singular em Portugal. Há os que se renderam às baladas pop intimistas, enquanto outros se deixaram embriagar pela faceta mais jazzy e funky do cantor. Há aqueles que reviram os olhos sempre que Abrunhosa - agora endinheirado e reconhecido como vedeta da música nacional - lança comentários ao actual Governo, enquanto outros lhe aplaudem a consciência social e política. Ficar indiferente ao senhor dos óculos escuros, isso, por outro lado, é que parece difícil.

Até podemos continuar sem saber o que esconde o olhar de Pedro Abrunhosa, mas sabemos o que a sua visão trouxe para a pop nacional (e, quiçá, para a vida de muitas pessoas): momentos irrepetíveis como "Lua", "Se eu Voltar", "Eu Não Sei Quem te Perdeu" ou "Quem me Leva os Meus Fantasmas?". Pois é: já lá vão sete álbuns de originais e mais de 20 anos de carreira na música pop. Tanto tempo, tantas canções… E parece que foi só ontem que ele se juntou a nós… ali, no Majestic, a tomar um cimbalino e a perceber, então, essa coisa do destino.