Uma das perspectivas mais românticas sobre o jornalismo diz-nos que ele é a arte de contar histórias do quotidiano. E é ponto assente que muitos aspirantes a escritores, pelo caminho, se tornam jornalistas. O que é que uma coisa tem a ver com a outra? É muito simples. Quer nos romances, quer nas folhas de um semanário ou na emissão de um telejornal, há um elemento sem o qual não se consegue fazer nada: protagonistas.

Já sabemos como são as personagens principais dos livros. Geralmente, pessoas ficcionais. No caso do jornalismo, porém, os protagonistas que fazem notícia são as personalidades que mais poder, fama ou influência detêm nas nossas sociedades. Trata-se, por outras palavras, das elites sociopolíticas, como por exemplo presidentes e políticos, das celebridades que dominam o mundo do entretenimento e da moda ou de pessoas que se tornaram notáveis devido aos seus feitos científicos, artísticos ou desportivos.

E por que é que assim é? Há algum motivo em particular para as personalidades aparecerem assim tanto nos media? O curioso é que certas regras do jornalismo dizem que tudo o que um primeiro-ministro ou Presidente da República fizer é notícia, quanto mais não seja pela personalidade que protagoniza esse acto, mas também porque é dever dos meios de comunicação social monitorizar o poder. Mas há outras razões por que as pessoas estão tão presentes no jornalismo. Muitas vezes, enquanto leitores ou telespectadores, sentimos mais curiosidade ou fascínio por um indivíduo do que apenas por um acontecimento em si.

Há muitos pretextos para uma personalidade ser notícia. Um exemplo típico é quando se traça o perfil de um atleta que acaba de conquistar uma medalha olímpica ou de um escritor que vence um prémio. Mas as notícias de personalidades também regressam aos jornais quando revemos a carreira de um ilustre que faleceu depois de ter estado tanto tempo connosco. Por vezes, estas individualidades são noticiadas pelo que acontece nas redes sociais. E, noutros casos, tornam-se notícia precisamente por deixar de haver notícia sobre elas. Ou por fofoca, claro! De uma forma ou de outra, há algo de que poderemos ter a certeza: enquanto existirem personalidades de destaque nas nossas sociedades, continuará a haver notícias sobre elas.