A polícia é uma instituição pública, de natureza civil ou militar, sob tutela de um governo, que zela pela manutenção da segurança e da ordem. Em Portugal, as duas grandes forças de polícia, próximas aos cidadãos, são a Polícia de Segurança Pública (civil) e a Guarda Nacional Republicana (militar). Não obstante, existem outros órgãos com funções de natureza policial, nomeadamente a Polícia Judiciária, vocacionada para a investigação criminal e o combate à grande criminalidade.

A forma como a polícia é vista pela opinião pública depende, em grande medida, dos pontos de vista políticos e sociológicos de quem profere a opinião. Os defensores da sua atuação relembram que a polícia é a última garantia do cumprimento da lei e da ordem, relembrando que os polícias colocam o seu dever acima de tudo, protegendo pessoas e bens, com risco da própria vida, e não cessando de criticar a acção dos tribunais, reclamando mais protecção jurídica para os agentes em relação aos criminosos e lamentando todas e quaisquer manifestações de laxismo, por parte dos tribunais, que possam prejudicar o moral da força e beneficiar os infratores.

Do outro lado da "barricada", encontram-se os que consideram que a polícia abusa da sua posição de autoridade para exercer a força de uma forma, eventualmente, abusiva ou até ilegal. Já nos anos 90, a banda Da Weasel cantava:

Não pensam nas consequências e a prepotência é a delícia,

abusam da sua farda, deixando mal toda a polícia.


Em 2015, causou grande polémica o caso dos adeptos do SL Benfica agredidos de forma violenta por um agente da PSP, em Guimarães e após um jogo de futebol, sem que, nas imagens em vídeo, nada justifique a intervenção. O agente veio a ser penalizado, na sequência do caso.

Numa terceira perspectiva, mais humorística, o polícia é retratado, ora como uma figura indolente e despreocupada, ora abusando de um formalismo que lhe permita distanciar-se do cidadão. Num episódio das "Farpas", Eça de Queirós escrevia: "O boi é mais sólido, mais sóbrio, mais duradouro e sério que o polícia. Não seria o boi que levaria a sua tarde vigilante, em atitude namorada, diante da criada da esquina; não seria o boi que entraria no fumacento ruído da taberna, a parceira com os homens do fado." Já no Gato Fedorento, um polícia dirige-se a um condutor nestes termos:

- "O senhor prevaricador incorre aqui numa contraordenação grave cuja sanção pode ir da aplicação de uma coima à cassação do título de condução."

- "Mas eu não percebo nada do que o senhor está a dizer." (…)

- "O indivíduo em questão incorreu na prática de transposição ou circulação em desrespeito por linha longitudinal contínua delimitadora do sentido do tráfego ou de linha mista com o mesmo significado."

Independentemente das críticas, é possível aventar que as forças policiais, em Portugal, gozam de um relativo prestígio, que não tem diminuído ao longo dos últimos anos. O facto dos índices de criminalidade se manterem relativamente baixos (principalmente pelos padrões internacionais), bem como a existência de uma percepção, na opinião pública, de que os esforços da polícia são muitas vezes contrariados pela forma como os tribunais aplicam a lei, têm levado a que a relação entre a polícia e o cidadão seja, de um modo geral, tranquila, e talvez até favorável. Um exemplo disso foi a forma e a rapidez com que Hugo Ernano, o agente da GNR que baleou mortalmente, de forma inadvertida, um menor durante uma perseguição policial, conseguiu angariar 55.000 euros para pagar a indemnização a que foi condenado pelo Supremo Tribunal de Justiça; um sinal importante de apoio de opinião pública para o seu caso.