Um reality-show é um programa de entretenimento onde pessoas reais se deixam filmar, com o objectivo explícito de criar um produto de “show business” televisivo. Geralmente assumindo a forma de um concurso, o estilo “reality” foi gradualmente condicionando a forma como é vista e produzida televisão nos tempos actuais. A sensação e necessidade de “mostrar tudo” contribuiu para a desmistificação do que é ser e estar em televisão, criando uma sensação de aproximação entre o meio televisivo (actores, apresentadores, profissionais, etc.) e o público. Por outro, criou-se a ideia que uma grande parte do que é informação e cultura teria de adoptar um formato “reality”, o que tem vindo a contribuir para a noção de que, em TV, o sensacionalismo e o entretenimento contínuo prevalecem sobre tudo o resto.

O primeiro reality-show transmitido em Portugal foi o “Big Brother”, pela TVI, em 2000. À época, a ideia de isolar concorrentes do mundo durante vários meses e observar o seu comportamento era ainda revolucionária e polémica. O programa obteve grandes audiências e o seu vencedor, Zé Maria, é ainda hoje lembrado pela grande maioria dos tele-espectadores.

De então em diante o “efeito novidade” dos reality-shows perdeu-se, mas as televisões nacionais continuaram a apostar no formato. A SIC respondeu rapidamente com “O Bar da TV”, “Acorrentados” e “Confiança Cega”; contudo, o “Big Brother” continuou a liderar as audiências e o interesse do público. O formato da Endemol conheceu entre nós 4 edições e vários spin-offs, com o Big Brother Famosos 1 e 2 (com figuras públicas) ou Big Brother VIP. A partir de 2010, o nome mudou para “Secret Story – Casa dos Segredos”, que já alcançou a sua quinta edição.

Paralelamente, a estação de Queluz não deixou de tentar outros cenários. Foram os casos de “Ilha da Tentação” (2002), “Quinta das Celebridades” (2004-05), “1ª Companhia” (2005), “A Bela e o Mestre”(2007), “Casamento de Sonho” (2007), “Perdidos na Tribo” (2011) ou “A Grande Aventura (2012). Em 2015, o formato de exploração agrícola de “Quinta das Celebridades” foi recuperado com “A Quinta”. Já a SIC não deixou também de apresentar programas como “O Meu Nome é Ágata” e “Na Casa do Toy”, onde os músicos expunham a sua vida pessoal, ou “O Momento da Verdade”. Na história da reality TV em Portugal, destaca-se José Castelo Branco, presença em vários formatos e tirando partido das acentuadas características de androginia, levadas ao terreno da caricatura, que quase sempre garantiram polémica e grandes audiências.

A RTP, enquanto canal público, manteve-se sempre distante do que se considera ser um formato pouco digno para um serviço público. Contudo, a estação apostou em formatos que se podem considerar como reality-show light, nomeadamente os concursos de talentos, nomeadamente “Operação Triunfo” e “Masterchef”. Os concorrentes privados não deixaram de marcar presença neste “campo”, com a SIC a apostar nos “Ídolos”, “Família SuperStar” e “Peso Pesado” (este último uma adaptação do norte-americano “Biggest Loser”),

De destacar também a transmissão do programa de humor “O Último a Sair”, com textos de Bruno Nogueira. O programa foi divulgado como o primeiro “reality-show” da RTP e chegou a motivar intervenções (contra) de partidos políticos; só no primeiro episódio foi relevado que era na verdade uma paródia inteligente aos clichés televisivos dos restantes reality-shows. “O Último a Sair” contou, entre outros, com Luciana Abreu e Roberto Leal.