Acredite-se ou não, a verdade é que Portugal tem muitos heróis de que se pode orgulhar. No campo da História, temos navegadores como Vasco da Gama, que descobriu o caminho marítimo para a Índia. No universo da literatura, temos poetas intemporais como Luís de Camões ou Fernando Pessoa e romancistas como José Saramago. E a verdade é que estamos também cheios de heróis que singram lá fora, seja na área dos negócios, seja no desenvolvimento de projectos inovadores ou, até, nas artes.

Existe, todavia, um outro grupo de heróis que raras vezes esquecemos, especialmente durante os anos pares. Trata-se de um colectivo de homens que não inventou nada de particularmente novo, é certo, mas que tem misteriosos dons. Eles não combatem seres mitológicos nem trazem uma solução para a crise, mas têm o superpoder de alimentar-nos as esperanças, canalizar as nossas emoções, levar-nos a esquecer - por um pouco que seja - as chatices do quotidiano e fazer muitos milhares de portugueses sentirem-se unidos numa só causa. Falamos, claro está, da selecção portuguesa.

Em diferentes épocas, eles chegaram a ser conhecidos como 'os magriços', 'os infantes', 'os lusitanos' ou, até, 'os navegadores'. Mas se há alcunha que veio para ficar, ela será a da "equipa das quinas". Tal como o vermelho, cor que simboliza não só Portugal, mas também o sangue e o coração dos onze homens que, em diferentes épocas, nos elevaram a um honroso terceiro lugar no Mundial de 1966 (obrigado, Eusébio e companhia), a um quarto posto da mesma prova em 2006, altura em que Figo passava o testemunho a Ronaldo, e, mais dolorosamente, a um segundo lugar no Euro 2004 (maldita Grécia!).

É com um grupo de adeptos tão fiéis e com uma equipa que, em diferentes etapas, aglomerou talentos como José Águas, Mário Coluna, Eusébio, Fernando Chalana, Paulo Futre, Luís Figo, Rui Costa ou Cristiano Ronaldo que uma pergunta importante se levanta: como é que a selecção portuguesa nunca conquistou um grande título a nível europeu ou mundial? Haverá sempre quem diga que é por sermos um país pequeno, por causa de alguma antiga maldição ou por, enquanto equipa, nos faltar sempre 'algo' mais.

Ainda assim, e independentemente do que a ditadura das probabilidades em grandes competições futebolísticas nos disser, uma coisa é certa: quando chegar o próximo jogo a valer, o país vai voltar a parar. E, nessa altura, haverá 11 pessoas em campo e muitos outros milhares, sentadas pelas bancadas do estádio, nos cafés, ou nos sofás de casa, a gritar, em uníssono, três meras sílabas: POR-TU-GAL!