Ouvimos falar imenso dele nas notícias. Discute-se imenso sobre isto. Muitos acham que é um fenómeno recente que veio para ficar, enquanto outros acreditam que ele, no fundo, sempre existiu. Sob a forma de ameaças, explosões, acidentes, raptos, massacres, ou até através de ataques informáticos, hoje todos falam de terrorismo. Mas o significa realmente este palavrão?

A primeira conclusão é a de que não há uma definição unânime para a palavra. Diferentes culturas, e até pessoas, podem chamar terrorismo a actos de naturezas distintas. Mas calma. Vamos lá tentar pôr alguma ordem no conceito. Ora bem: ponto assente em todas as designações de terrorismo é o uso da violência (ou da sua ameaça) sobre uma população, com o objectivo de se instalar um clima de medo e de vulnerabilidade psicológica. Por detrás destes métodos está sempre o desejo de se propagar ou reivindicar uma causa.

É a partir daqui que as coisas divergem: o modus operandi, a magnitude da acção, os motivos... Vamos, então, por partes. É impossível falar de terrorismo sem lembrar o 11 de Setembro de 2001. Quatro aviões comerciais americanos foram desviados por terroristas da Al-Qaeda, com três deles a atingir os seus alvos: as torres do World Trade Centre (Nova Iorque) e o Pentágono (Washington D.C.). O motivo? Geopolítica: represálias pelo apoio americano a Israel, as sanções contra o Iraque e as operações militares dos EUA na Arábia Saudita ao longo dos anos 1990.

Mas quem não se lembra de Anders Breivik? O norueguês que, em 2011, matou 68 jovens num acampamento político e que, horas antes, tinha feito explodir uma bomba perto do gabinete do primeiro-ministro do seu país? O motivo? Convicções políticas e sociais: a sua obsessão pelas ideologias de extrema-direita, o racismo, a islamofobia e a sua crença de que os partidos políticos moderados estavam a contaminar a sociedade norueguesa e europeia, ao tolerarem a presença de estrangeiros.

Ok, vamos só a mais um caso: as recentes investidas do grupo islamista radical Boko Haram no Nordeste da Nigéria. Raptos de raparigas que vão à escola, ataques contra universidades, massacres a cristãos… O motivo? Fanatismo religioso: a vontade de transformar a Nigéria num país onde a lei islâmica seja seguida à mais severa risca e onde não haja espaço para outros credos. Algo que não é muito diferente das acções que o autoproclamado Estado Islâmico tem perpetrado no Médio Oriente, com o objectivo de desenvolver um califado na região.

Mas o avanço das novas tecnologias trouxe uma forma de terrorismo que já não recorre às armas físicas. Falamos do ciberterrorismo: o uso de técnicas informáticas com o objectivo de sabotar o funcionamento e roubar dados de empresas, organizações e Governos. Lembram-se do ciber-ataque de que a Sony Pictures foi alvo por causa do filme "The Interview", que parodiava o ditador norte-coreano Kim Jong-Un? Sim, foi ciberterrorismo... Ou apenas a mais recente expressão de um acto que, para alguns, é mais antigo do que pensávamos.