A Nigéria, o Chade, o Níger e os Camarões alinham os seus esforços na luta contra o grupo terrorista Boko Haram, responsável pelo rapto de cerca de 200 meninas em Abril passado, que frequentavam uma escola. Os 4 países, que partilham uma fronteira conjunta no Lago Chade (região controlada pelo Boko Haram), vão enviar 700 homens (cada) para uma força conjunta. Esta notícia surge na sequência dos apelos do governo da Nigéria (considerada a potência regional da África Ocidental) para uma acção conjunta dos governos da região contra o Boko Haram, organização de ideologia islâmica radical com ligações à Alcaida. No mesmo sentido, vários governos ocidentais, organizações de direitos humanos e a sociedade civil em geral (especialmente através de um movimento viral nas redes sociais onde milhares de pessoas, desde celebridades a anónimos, exibiram o apelo #bringbackourgirls, "tragam as nossas crianças de volta") apelaram igualmente a um esforço no sentido de combater esta ameaça.

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O rapto das estudantes em Abril foi apenas mais um de uma lista de episódios terroristas, que reforçou a visibilidade internacional do Boko Haram, mas o movimento não tem estado parado. Uma estimativa da Human Rights Watch aponta para cerca de duas mil vítimas mortais civis só no primeiro semestre de 2014. Ontem, dois atentados suicidas na cidade de Kaduna mataram 82 pessoas, sendo que uma das bombas visava dois políticos nigerianos, enquanto a outra tinha como objectivo Dahiru Bauchi, um clérigo muçulmano de orientação moderada que organizava uma oração pela paz.

O grupo tem estado em crescimento desde 2002, sem que a Nigéria e os governos vizinhos tenham tido sucesso, até agora, na sua eliminação. E embora não tenha alcançado o estatuto ou a solidez do Califado, no Médio Oriente, é já visto como uma ameaça suficientemente importante para que os vizinhos da Nigéria se aliem numa acção conjunta.

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Contudo, é ainda cedo para saber se uma força de apenas 2800 homens será suficiente para desalojar os terroristas das suas bases.