Ser um novo condutor não é fácil em qualquer lugar, mas ser um novo condutor num novo país é um verdadeiro desafio. Junte-se a esta minha luta para tornar-me num novo condutor em Portugal com as suas características únicas e o seu conjunto particular de paisagens terrestres e estradas próprias e interessantes.

Eu vim de um país com uma perfeita rede de estradas, manutenção de boas infraestruturas e um controlo moderno total sobre as rodovias e estradas principais. Por outro lado, o meu país de origem tem uma das mais altas taxas de impostos sobre veículos, de combustível, de seguros e de outros pagamentos necessários.

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Como eu morava numa cidade com excelente disponibilidade de transportes públicos e por causa do custo de manutenção de um carro particular, conforme mencionei acima, decidi a determinada altura vender o meu carro, parei de renovar a minha carta de condução e limitei-me aos autocarros e táxis, que eram uma boa, lógica e económica solução.

Este era o ponto de situação em que me encontrava quando imigrei para Portugal, sem carta de condução e como Portugal não oferece um bom e confiável sistema de transportes públicos (pelo menos não em cidades ou vilas mais pequenas) eu sabia que a solução, usada por mais de 25 anos, se transformou num handicap no meu país adotivo. Não havia volta a dar, em Portugal ter carta de condução não é uma opção, é uma necessidade.

Ok, então qual foi o primeiro passo? Encontrar uma escola de condução, é claro.

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Fui com a minha esposa ver algumas. A maioria das vilas e cidades têm várias e os preços são muito semelhantes em todas elas, por isso não há muita concorrência em termos de preços. A diferença está na qualidade do serviço e na sua taxa de sucesso.

O custo para um pacote completo é bastante razoável, 850 Euros, o que inclui 20 aulas teóricas para aprender as diferentes leis e regulamentos, o teste teórico, 30 aulas práticas de condução e o exame final. É claro que este preço pode mudar se falhar num dos testes ou se decidir ter aulas extra. Mas se não houver problemas, parece-me razoável e suficiente.

Não é fácil aprender as leis e regras numa língua estrangeira. Isto é verdade em qualquer país, mas em Portugal achei mais difícil por duas razões. Portugal tem muitas regras que são exclusivas do país, por isso não podemos adivinhar ou retirar da nossa própria experiência; simplesmente temos que conhecê-las. O segundo aspeto, é que o teste teórico é construído a partir de 30 questões de escolha múltipla onde a diferença entre as respostas certas e erradas é uma única palavra, ou seja, temos de compreender perfeitamente as nuances mais pequenas.

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Depois de passar o teste teórico (senão temos de pagar mais 150 Euros), comecei a ter aulas práticas, e aqui começa a verdadeira "diversão". Uma coisa se pode dizer a favor de Portugal: em geral os veículos são modernos e a média entre veículos é de 3-5 anos de idade, normalmente em muito bom estado mecânico. Acho que num país onde a maioria das pessoas não pode depender do transporte público, ter um bom carro é considerado uma prioridade.

Os professores que tive até agora são pessoas agradáveis e de boa vontade, mas é muito comum aqui levantar a voz ou exibir abertamente o seu descontentamento no sentido de orientar os alunos, o que eu achei um pouco duro para o meu gosto. Outra coisa que eu particularmente não gostei é a ausência de metodologia, aqui as pessoas estão mais concentradas em ensinar a imitar a maneira como eles dirigem do que a ensinar-nos a sua lógica ou como fazê-lo corretamente. Isto acontece principalmente porque os inspetores que fazem o exame final, fazem-no sempre da mesma maneira nos mesmos itinerários e, para os instrutores de condução, é absolutamente necessário preparar os seus alunos para as exigências do exame final e não prepará-los como futuros condutores.

A boa notícia é que, aqui em Portugal, o temperamento de condutores é muito mais calmo por natureza, eles tendem a ficar muito menos irritados com os habituais pequenos incidentes na estrada, têm muito paciência e são educados, por isso há menos com que nos preocuparmos sobre a condução aqui. Por outro lado, muitos motoristas veem as regras de trânsito como meras sugestões, a polícia não é muito ativa a regular o tráfego e, acima de tudo, muitas estradas dentro das cidades e fora estão num estado de manutenção lamentável, o que exige estar bem alerta em certas estradas pois podem trazer consequências para o seu carro.

Outra coisa que eu achei impressionante é que em muitas vilas e cidades podemos encontrar ruas que são estreitas demais para um único carro e as mesmas são bidirecionais ou ruas sem passeios onde os pedestres são obrigados a andar dentro dos limites da estrada, em alguns casos as casas têm a sua porta de entrada a abrir diretamente para o rua(!).

Eu tenho o meu exame final daqui a 10 dias, mal posso esperar para conduzir neste país e sentir alguma independência. Algures no horizonte vejo a minha licença temporária (aqui é temporária para os primeiros 3 anos) de condução. Acrescente-se a isto que os processos de emissão e renovação de licenças de condução pela entidade responsável (IMTT) neste momento estão um caos, devido a um atraso originado por mudanças no sistema informático e cortes de pessoal, obrigando o condutor a pagar taxas de cada vez que se quiser sentar no lugar do condutor.