O povo queixa-se que a água do mar está fria, mais fria que o costume (no litoral Oeste) ou simplesmente mais fria (no Algarve). Mas há um sinal de que o clima está realmente mais instável, dando razão ao povo. Se há tempos atrás eram animais marinhos de águas quentes que surgiam a sul, agora é uma foca que esteve instalada na baía de S. Martinho do Porto.

O animal apareceu a 23 de Julho e agora, cerca de um mês depois, parece ter abandonado definitivamente a baía, com as autoridades da #Natureza sugerindo que certamente decidiu regressar ao seu habitat natural. Por ali não há memória de tal coisa; as autoridades optaram mesmo por chegar a içar a bandeira vermelha, uma raridade nas águas tranquilas daquela baía.

Publicidade
Publicidade

O animal é selvagem e pode representar um perigo para os banhistas. Existiu mesmo um aviso aos veraneantes para não se iludirem com o aspecto amigável do bicho, uma vez que não estará habituado à presença humana e poderia reagir mal. A foca foi baptizada de Martinha, numa óbvia referência ao nome da baía, e teve direito até a uma página no Facebook.

Os verões têm sido fracos. E depois de um inverno longo, que viu queda de neve em Portugal no mês de Maio, o verão tem sido dos mais frios. Por toda a Europa, as pessoas queixam-se do mau tempo. Em Portugal, a área florestal ardida bate recordes em relação aos últimos anos, pela ausência de fogos - o que é uma óptima notícia, claro. (Ainda que saibamos que o problema de fundo não está resolvido.) Mas como se explica esta situação?

Como se sabe, a ciência está sempre em trabalho contínuo.

Publicidade

Algumas das verdades que a ciência descobre tornam-se tão seguras que passam a ser de senso comum. A vacina, por exemplo, que é usada há 200 anos. Ou a necessidade de manter níveis de higiene para manter a saúde, ou o facto de o Homem conseguir construir carros e aviões (impossível há 150 anos). Noutras áreas, estamos no início. Ainda não é bem conhecido o efeito que a actividade solar, que se sabe evoluir em ciclos de maior ou menor intensidade, pode ter realmente no clima terrestre. Sabe-se que, em tempos pré-históricos ocorreram várias idades do Gelo e que a última terá deixado de se fazer sentir há apenas 10000 anos, quando o Homem já estava há muito por todo o planeta. Sabe-se também que um período prolongado entre a Idade Média e a Idade Moderna foi mais frio que os séculos XIX ou XX. Poderemos estar a entrar numa nova época fria? Vários estudos, nos últimos 5 anos, apontam para essa possibilidade, devido a uma diminuição da actividade solar.

Que impacto pode ter esta resposta nas políticas de combate às emissões de CO2? Bem, perguntem aos chineses.

Publicidade

As cidades chinesas estão entre as mais poluídas do mundo, uma vez que a aposta fortíssima na industrialização trouxe fumo. Muito fumo. Os problemas de saúde relacionados com o sistema respiratório são muitíssimo frequentes, e daí também a aposta da China na energia solar.

Porque a questão do dióxido de carbono não se trata tanto de aquecimento ou arrefecimento global. Trata-se do ar que respiramos, da saúde de cada um de nós. Se o clima realmente arrefecer, vamos precisar de consumir muita energia para nos aquecermos. Se for energia fóssil, vamos levar com mais fumo. Se for energia renovável, é melhor para todos.